Rua é rua e calçada é calçada

Com a falta de respeito por tudo é generalizada, ela afeta também a circulação de veículos, motos, bicicletas, patinetes e pedestres nas ruas da cidade.

Antonio

01 de julho de 2019 | 12h16

Quando eu morava na Alemanha, uma bolsista da mesma fundação que deu minha bolsa, morreu depois de ser atropelada por uma bicicleta. A culpa foi dela.

Naquela época, as calçadas alemãs já tinham faixas especiais para pedestres e para bicicletas. Ela não sabia disso e estava andando pela faixa de bicicletas quando foi atingida por um ciclista, que vinha na direção contrária e, ao dobrar a esquina, não viu a pedestre na faixa para bicicletas.

Com o impacto, ela caiu, bateu a cabeça na guia e morreu alguns dias depois.  Me lembro disso até hoje porque fiquei muito impressionado com o acidente. Eu também não tinha ideia de que as calçadas alemãs tinham faixas para pedestres e para ciclistas. Daí em diante, comecei a prestar atenção, mas, mesmo assim, mais de uma vez fui xingado por ciclistas que davam comigo andando na faixa para bicicletas.

Esse é o problema do Brasil hoje. Ou pelo menos o problema de São Paulo. Ninguém respeita muita coisa, então não tem porque respeitar a destinação de cada equipamento urbano.

Em teoria, rua seria para veículos a motor, calçadas para pedestres e ciclovias para bicicletas. Mas na prática a teoria é outra. Tirando os veículos a motor, que só raramente sobem nas calçadas, quando seus motoristas perdem a direção, o mais faz como quer, quando quer e onde quer.

Pedestres atravessam as ruas em qualquer lugar, tanto faz se com faixa ou passarela próximas. Ciclistas pedalam nas calçadas, nas ruas e até em vias expressas, como as marginais. E, para completar, os patinetes descobriram que são irmãos dos super-heróis, por isso podem tudo, em todos os lugares, até nas ruas em que trafegam na contramão.

O duro é que o “eu posso, eu faço” está tão disseminado quanto o “eu tenho direitos”. Será muito complicado recolocar ordem no pedaço.

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