Seguros de pessoas

Os seguros de pessoas já são mais da metade do faturamento do setor, mas mais da metade da população brasileira não tem qualquer seguro. Há um alto potencial ainda a ser explorado.

Antonio

08 de maio de 2019 | 08h54

Se incluirmos os planos de saúde no bloco chamado seguro de pessoas, estes produtos já são bem mais da metade do faturamento do setor.

Aliás, o faturamento dos planos de saúde privados já é maior do que o faturamento de todos os outros ramos de seguros somados. Os planos, em 2018, responderam com mais de cento e oitenta bilhões de reais em faturamento. De outro lado, 85% desse total foi pago para atender os procedimentos cobertos, ou seja, dos cento e oitenta bilhões, perto de cento e cinquenta bilhões de reais foram destinados a atender a atividade fim das operadoras, sobrando trinta bilhões para fazer frente às despesas comerciais e administrativas, ao pagamento de impostos e à remuneração dos acionistas.

Ao longo dos últimos anos, a venda de carros novos vem caindo. A razão mais fácil de ser invocada para justificar o movimento é a crise econômica que ainda faz mortos e feridos na economia nacional. Mas só ela não é suficiente e um desenho mais acurado da situação mostra que o Brasil também sente os efeitos de uma tendência internacional. A substituição do automóvel da família como meio de transporte pelo compartilhamento de veículos de empresas especializadas entre várias pessoas. Além disso, a entrada em cena de bicicletas, patins, skates e outras formas alternativas de locomoção também estão impactando a venda de carros novos e, consequentemente, a carteira de veículos das seguradoras.

Esta tendência parece irreversível e deve se acentuar nos próximos anos. As novas gerações não têm o apego dos mais velhos por carros e outros bens materiais. Como consequência, uma série de atividades econômicas está sendo redesenhada ou mesmo desaparecendo.

O formato das novas empresas promete a redução de custos e a otimização do aproveitamento dos bens e riquezas sociais. O resultado disso é o redesenho das formas de trabalho, com o empregado tradicional sendo substituído por figuras mais leves, com outras competências e responsabilidades.

Estes movimentos levam naturalmente à diminuição da contratação de uma série de seguros de bens. Eles não fazem mais sentido porque a utilização do objeto deixou de ser a tradicionalmente aceita até poucos anos atrás.

De outro lado, o aumento da expectativa de vida leva a novas necessidades de proteção, que, somadas aos novos riscos decorrentes do redesenho da atividade profissional, geram novas demandas de seguros, com o objetivo de garantir o bem-estar individual e a paz social.

Nos próximos anos, o Brasil deve surfar em duas ondas praticamente ao mesmo tempo. Uma é o crescimento da demanda de seguros de vida em função das tipicidades do país, entre as quais o seguro tem como característica a baixa penetração social. E a segunda, são as novas tendências de desenvolvimento que transformam o mundo e a realidade socioeconômica na qual o Brasil está inserido.

Os produtos de seguros de pessoas à disposição do brasileiro estão, grosso modo, defasados em comparação com o que acontece nos países desenvolvidos. O seguro de vida em grupo ainda tem um longo futuro, mas apenas ele é insuficiente para atender as necessidades da sociedade. Da mesma forma, os planos de previdência complementar, que se assemelham muito aos seguros de vida com poupança acoplada, como o são as apólices europeias, norte-americanas e japonesas, precisam passar por uma ampla revisão.

Mais da metade da população brasileira não tem seguro de qualquer espécie. E apenas cinquenta milhões de pessoas têm plano de saúde privado. São números insuficientes para as necessidades brasileiras, mas que mostram claramente que se, de um lado, a penetração dos seguros na sociedade é baixa, de outro, há um alto potencial a ser explorado. Está faltando apenas que o produto certo seja desenhado e comercializado.

Com a retomada do desenvolvimento, na cola da aprovação da reforma da previdência social, o setor de seguros tem tudo para iniciar uma corrida de longa distância, aumentando em muito a participação do seguro de pessoas entre os produtos indispensáveis para a paz social.

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