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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Será que Deus é mesmo brasileiro?

Tentaram quebrar o Brasil. Não vão conseguir, mas até arrumar a casa, tem muito trabalho!

Antonio

22 de maio de 2017 | 13h55

SERÁ QUE DEUS É MESMO BRASILEIRO?

Quando o país começava a sair do buraco, a economia apresentava uma leve recuperação, o número de empregos formais crescia, a inflação foi trazida para baixo da meta, os juros ameaçavam cair no mundo real, de repente, como quem não quer nada, num fim de tarde que deveria ser morno, a bomba explode.

O Presidente da República aparece no meio de uma delação premiada atípica, mas com potencial de bomba atômica norte-coreana. Não só é citado, mas, de acordo com a delação, foi gravado, o que aumenta substancialmente o cacife da delação, atípica, entre outras razões, porque os delatores, em vez de estarem presos, estariam nos Estados Unidos.

O quadro não pode ser mais negro. Tudo de ruim que vinha acontecendo no mundo político ficou pior e pode piorar mais ainda.

Quem tem uma certa idade e lê jornais nunca teve muita dúvida sobre a fragilidade ética de Michel Temer. Mas ele vinha se mantendo e para o Brasil era o melhor dos mundos. Ele estava entregando o que dizia que faria com competência e muita habilidade.

As reformas andavam, a economia dava sinais de revitalização, o mundo real estava se animando, o que podia ser visto nos restaurantes cheios e no comércio retomando as vendas no dia das mães.

Lidar com o Congresso brasileiro é trabalho para profissional. Todo mundo é cobra criada e a quantidade de muçuranas assusta, inclusive pela particularidade de serem muçuranas venenosas, o que só acontece lá.

Em bom português, com as raríssimas exceções de praxe, na Câmara e no Senado tem muito pouca gente interessada nos destinos do Brasil. O que importa é o tamanho do bolso e o próprio umbigo, o resto que se dane. Chora mais quem pode menos.

O que vai acontecer daqui pra frente é o desconhecido. Mas aconteça o que acontecer, não deve melhorar, pelo menos no curto prazo. As tais ”diretas já” não estão previstas na Constituição. A regra é clara e mudá-la agora é golpe.

Se a atual linha de ação continuar, fica a pergunta se o Governo terá força para tocar as reformas ou conduzir a política econômica. Se mudar, fica a incerteza quanto ao futuro do país. Os dois cenários são dramáticos. Mas o Brasil não vai acabar. A primeira notícia boa é essa. A segunda é que, pela primeira vez em muito tempo, temos condições de, no final, sair do naufrágio com um país melhor.

Seria loucura jogar fora o que foi conseguido e negociado nos últimos meses. O país não sobrevive sem o teto dos gastos, a reforma da previdência e a reforma trabalhista. Em política não tem vácuo e muita gente já está se mexendo para ocupar os lugares abertos no novo tabuleiro. Se o Brasil avançar, o setor de seguros tem a grande oportunidade de dobrar de tamanho em poucos anos. Se andarmos para trás, corre-se o risco de ficar pior do que está, como política pública e não apenas por conta das circunstâncias.

O que os fatos estão mostrando é que a Lava Jato não colocou um ponto final na bandalheira. Quer dizer, os bandidos são mais competentes, poderosos e debochados do que se imaginava. É aí que mora o perigo: o Congresso é o quintal de quem está mamando nas tetas da pátria e pouco se lixando para o país. Será que eles estão dispostos a mudar as regras? De outro lado, será que o povo está disposto a aceitar que as coisas fiquem como estão?

Neste cenário, cabe a cada cidadão pensar o que quer para o país, mas cabe também não esquecer que tem que tocar a vida. Os negócios continuam, os seguros têm que ser vendidos, as apólices emitidas, os sinistros pagos, a sociedade protegida. É assim que as coisas são e ninguém irá mudá-las.

Seguradoras e corretores de seguros estão se preparando para a retomada do crescimento econômico desde os primeiros sinais da mudança. Brecar esse movimento seria uma temeridade, até porque, ainda que o país perca algum tempo antes de chegar lá, vai acabar chegando.

Então, é tocar em frente com um olho na realidade do país e outro na realidade da vida cotidiana. Não é hora de entrar em pânico, não é hora de enterrar a cabeça na areia, não é hora de fugir da raia. Quem fizer isso vai ficar para trás na hora em que voltarmos a ter eixo.

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