Será que está melhor?

As boas lembranças do passado são apenas as boas lembranças que preferimos guardar. Mas se olharmos bem, o mundo não era melhor e não está melhor agora.

Antonio

23 de abril de 2019 | 16h15

Diz a lenda que as pessoas sentem saudades de um passado melhor porque esquecem como o passado era na época em que era presente. Elas, até por defesa contra a dureza da vida, só preservam as lembranças boas, se esquecem dos tropeções, das porradas e das tristezas ao longo do caminho. E o passado fica mais bonito e nos faz ter saudades.

Imagino que seja assim mesmo. Eu tenho a sorte de não me lembrar de muitas das coisas complicadas que aconteceram na minha vida. Dito de outra forma, é o que escrevi acima. Nós achamos muito melhor guardar o bom, mas, como uma vez me escreveu uma prima: será que ninguém se lembra de quantas vezes chorou quando era moço?

A vida pega desde o instante em que nascemos. Tudo bem, é assim porque é assim. Ninguém nasce chorando porque é fácil nascer. Sair da barriga da mãe é só o primeiro susto, tenha certeza. Outros virão ao longo da estrada.

Mas será que o que vemos hoje não está mais complicado do que era num passado não muito remoto? A globalização é inexorável e não tem muito como mudá-la. Mas será que o processo não foi distorcido além da conta?

Hoje, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres. A regra vale para todos os países, incluídos os mais desenvolvidos. Nunca os ricos americanos foram tão ricos e na outra ponta as diferenças de vencimentos foram tão grandes.

Andar pelas ruas de Paris ou Londres não é muito diferente de andar pelas ruas brasileiras, de Bangladesh ou de qualquer outro lugar do planeta. Tem gente morando nelas, pedindo esmola, passando fome.

Eu não sou conta a globalização, mas é mais do que hora de repensarmos o modelo. Do jeito que vai não pode acabar bem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.