Um ano com muitos desafios

O ano de 2017 foi bom e a previsão é que 2018 seja ainda melhor. Mas será preciso competência e profissionalismo.

Antonio

07 Fevereiro 2018 | 09h52

Ninguém tem dúvida, 2018 será um ano melhor para o Brasil e um ano muito melhor para o setor de seguros. Conversando com vários executivos, o desenho que surge é bem mais positivo do que foi o ano de 2017 e a tendência é de um otimismo, eventualmente, um pouco exagerado.

Tem quem fale em crescimento de 2 dígitos, ou seja, algo acima de 10%. Se considerarmos a previdência complementar e os planos de saúde na conta, a sua viabilização é quase certa. Acontece que a maioria das empresas não trabalha nem com saúde, nem com previdência complementar, então a leitura tem que ser feita dentro do cenário de cada player, levando em conta o que efetivamente aconteceu no ano passado.

De acordo com a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), o setor fechou com um crescimento próximo a 7%, o que, descontada a inflação, dá um número positivo de 4%. É um resultado extraordinário e que poucos setores conseguem apresentar.  Mas é um cenário fortemente impactado pelos VGBL’s, o que distorce a fotografia e pode dar a sensação de que todas as empresas se saíram bem. Não foi assim.

Tem seguradora que se deu bem, tem seguradora que não se deu tão bem e tem seguradora que se deu mal. O ano de 2017 foi um ano extremamente difícil para o Brasil e, ainda que sendo melhor do que 2016, a maioria dos setores econômicos nacionais apresentou desempenho bastante medíocre, pelo menos durante a maior parte do ano.

Seguro é uma atividade de suporte, quer dizer, seguro cresce quando a economia cresce e essa verdade bate mais forte quando o consumo se retrai. Como apenas no final de 2017 a sociedade brasileira recomeçou a consumir, o setor ter mantido um crescimento positivo de 4% é um desempenho extraordinário, que mostra uma resistência incrível, calcada na solidez das empresas, na confiança do público e na capacidade de articulação e venda dos corretores de seguros.

O desempenho do ano passado foi a feliz soma de vários fatores, alguns com maior participação das seguradoras, outros com mais empenho dos corretores de seguros, resultando no estreitamento da parceria indispensável para que as duas atividades desempenhem sua missão com eficiência.

Mas é importante atentar para o fato de que, apesar dos números consolidarem um setor, o desempenho é individual. Quer dizer, as seguradoras e as corretoras de seguros são empresas independentes umas das outras e o desempenho de uma única, a favor ou contra, não pode ser tomado como paradigma do mercado. Cada coisa é uma coisa e a análise individualizada dos resultados das diversas empresas vai mostrar desempenhos bastante diferentes, com gente ganhando dinheiro, gente empatando e gente perdendo.

O resultado positivo do setor está fortemente escorado por um único produto, que não é sequer trabalhado pela maioria das companhias. E isso dá, de saída, uma vantagem competitiva para as que têm o VGBL na sua prateleira.

Ao longo de 2018, a atividade econômica brasileira deve prosseguir em sua marcha de recuperação, aquecendo mais ou menos os diferentes setores que a compõem. Isso significa que haverá seguros novos para serem feitos, em complemento aos seguros que serão renovados, com capitais segurados mais altos do que durante a crise.

Mas, se haverá mais seguros para serem feitos, haverá também mais concorrência em torno deles e isto pode ser um complicador para quem não estiver preparado, com produtos adequados, precificados corretamente e com os canais de distribuição, ou seja, os corretores de seguros, devidamente alinhados.

A retomada do crescimento brasileiro traz em si o germe de um país mais eficiente, mais moderno e mais profissionalizado. O espaço para quem não for altamente profissional vai se estreitar cada vez mais, depurando a economia de parte dos entraves responsáveis pelo custo Brasil.

Isso vale para o setor de seguros. E, no novo cenário, competência passa a ser um mantra, calcado no profissionalismo, na transparência e na sustentabilidade. É pegar ou pegar. Não existe plano B.