Uma comparação interessante

Uma comparação entre o seguro e a fundação de São Paulo nos mostra que entre eles há mais coisas em comum do que se pode imaginar...

Antonio

30 de janeiro de 2019 | 08h32

No aniversário oficial da cidade de São Paulo é interessante fazer uma comparação entre a maior metrópole brasileira e o negócio de seguro. Há muito mais em comum do que poderia pensar alguém que não conhece bem a história da cidade ou o funcionamento de uma atividade que é responsável pela segurança do patrimônio e pelos investimentos de boa parte da sociedade.

O seguro é muito mais antigo do que as pessoas imaginam. Ele não nasceu na Inglaterra do século 18, nem teve como atividade fim, nos primórdios de sua existência, garantir as viagens da frota inglesa levando e trazendo mercadorias para as mais longínquas partes do mundo.

Os pressupostos do seguro moderno estão grafados em tábuas de escrita cuneiforme, com mais de quatro mil e quinhentos anos, encontradas na Mesopotâmia. Nelas há todo um regramento para a garantia da viabilidade das caravanas, através da repartição dos prejuízos sofridos por alguns entre todos os participantes da empreitada. Exatamente o que acontece nos dias de hoje e o que passou a acontecer em Portugal, a partir de 1350, quando o rei ordenou a criação de uma companhia com a missão de repor as perdas da frota portuguesa, bem como a plantação de florestas para a construção de navios.

As navegações portuguesas não foram obra do acaso ou do aventureirismo sem sentido, da viagem pela viagem. Ao contrário, cada passo da saga que abriu o resto do mundo para a Europa foi cuidadosamente planejado, a começar pela embarcação escolhida para a empreitada, a caravela, que, em função da disposição das velas, podia navegar contra o vento.

Além disso, cada nova perna da jornada náutica portuguesa, primeiro na África, depois nas Índias, China, Filipinas e Japão, era detalhadamente anotada para servir de início para a viagem seguinte, que deveria ir mais longe, até tirar o mundo das brumas das lendas.

A descoberta do Brasil se insere nesse contexto. E sua relativamente lenta ocupação tem como razão principal proteger as rotas e as riquezas portuguesas, como um plano B ou reserva técnica, para a Coroa.

Graças à companhia que repunha a frota, os portugueses se lançaram ao mar, chegaram do outro lado do Atlântico e subiram a serra impressionante que os separava das riquezas dos Eldorados.

Aí começa a história de São Paulo, que tinha como missão inicial servir de ponto de partida para as entradas que aprisionavam índios para repor as tripulações dos navios que cruzavam o oceano, bem como proteger a retaguarda de São Vicente de um eventual ataque espanhol.

A pequena vila só poderia se desenvolver entrando pelo sertão. E é isso que os paulistas fazem, primeiro nas expedições para a descida dos índios e depois na exploração das minas de ouro. As bandeiras dão certo porque encontram o financiamento e as garantias necessárias nos capitalistas que disponibilizam os recursos, contra uma parte dos resultados, exatamente como os ingleses o fariam cem anos depois, para garantir as viagens marítimas, seguradas num café chamado Lloyds, em Londres.

Ao longo dos séculos, os paulistas garantem o abastecimento do interior, o funcionamento das minas, o transporte de mercadorias e o escoamento da produção.

Nessa jornada incrível, abrem o interior brasileiro e conquistam mais de quatro milhões de quilômetros quadrados de territórios originalmente espanhóis.

Quatrocentos anos depois de sua elevação a vila, São Paulo se transforma no polo gerador de desenvolvimento nacional. Mais uma vez a semelhança com o negócio do seguro é evidente. São Paulo é a operadora da poupança gerada pela riqueza acumulada com o café e que serve de base para o desenvolvimento do país.

Esses recursos financiam e protegem o desenvolvimento social. Investidos em educação e formação profissional, criam a Universidade de São Paulo, o Instituto Agronômico, o Instituo Butantã, o Instituto Biológico e a rede de escolas estaduais que formam milhares de pessoas, dando-lhes a qualificação indispensável para ocuparem os postos de trabalho mais sofisticados ou se tornarem empreendedores, responsáveis pelas novas empresas que se somam diariamente, até os dias de hoje, ao impressionante polo de desenvolvimento em que se transformou o Estado de São Paulo.

Compare, analise. Você vai descobrir duas histórias bonitas e fundamentais: uma para o desenvolvimento e a proteção do Brasil e a outra para o progresso do mundo.