Zé Nogueira partiu

Zé Nogueira conhecia música como pouca gente no mundo. Mas ele fazia tudo com muito carinho e ternura. Por isso, a partida dele deixa um claro na música... e no peito dos amigos.

Antonio

28 de junho de 2019 | 12h45

A música brasileira está de luto. Um dos seus maiores nomes decidiu mudar de endereço e a partir de agora tocar com os anjos e reinventar a melhor forma de se fazer música.

Perde a terra, perdem seus amigos, perde a boa música que, com a partida de Zé Nogueira, fica mais pobre e mais esquecida.

Zé Nogueira conhecia música como muito pouca gente em qualquer lugar do mundo. Conhecia os compositores, os músicos, arranjadores, técnicos de som, todos os envolvidos com a arte de fazer, criar, arranjar, tocar, gravar e distribuir música.

Muito do melhor do que temos por aí só existe porque, em algum momento, o dedo mágico, o talento impressionante, a competência e a visão de Zé Nogueira deram o empurrão essencial no compositor, no cantor, no arranjador, enfim, na música, que era parte natural da sua vida.

Como o ar que os mortais respiram, a música era fonte de vida para um dos homens mais doces, mais amáveis, mais amigos e mais leais que Deus colocou nesta terra.

Zé Nogueira era a síntese da soma de grande parte das grandes qualidades que fazem de um ser humano um Homem.

Homem com H maiúsculo. Alguém com caráter, dignidade, firmeza, crença nas suas crenças, lealdade acima da coragem e coragem acima de tudo na defesa de seus amigos e de suas posições.

Mas ele fazia isso tudo com carinho. Seus olhos tinham a profunda ternura dos que sabem como a vida é, ou pode ser, e que ela é dura e boa ao mesmo tempo. O importante é aceitá-la e tentar fazer hoje melhor do que ontem.

A partida de Zé Nogueira abre um claro na música brasileira. Mas abre um claro muito maior, na saudade que fica no peito de seus amigos.

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