O Futuro dos Negócios

O Futuro dos Negócios

Wal Flor

25 de outubro de 2018 | 19h03

Dado os últimos fatos políticos, econômicos, sociais e culturais, definitivamente o mundo está mais complexo. Esta complexidade atinge diretamente o mundo dos negócios, acostumados a uma lógica industrial, onde produtividade e demanda aquecida favoreciam a maximização do lucro das principais empresas, principalmente dos grandes negócios com escala global.

Com o advento das tecnologias, as barreiras de entrada no mercado foram reduzidas e a concorrência aumentou. Agora o que importa é manter uma organização centrada na jornada das pessoas, naquilo que elas realmente precisam. E se ainda puder contribuir para resolver um problema da sociedade, o sucesso está praticamente garantindo. Alguns estudos comprovam que se mais de 70% das marcas desaparecessem do mundo, elas não fariam falta alguma.

É neste contexto que nascem as organizações movidas por um propósito, que nascem com uma causa nobre para a sociedade. São ainda leves, mais velozes e possuem mais diversidade e autonomia na tomada de decisão. Os investimentos tecnológicos nos bancos de dados são parte deste diferencial e acabam por atender mais rápido a demanda da sociedade. Do outro lado, as empresas tradicionais possuem clientes, solidez, lucros bilionários e investidores querendo ganhar ainda mais. A disputa entre empresas tradicionais, muitas centenárias, e as sedutoras start-ups está aí para deixar o mercado ainda mais complexo. E agora, como sobreviver neste mercado?

É exatamente para maximizar os investimentos do acionista e espero eu, contribuir para conscientizar a população brasileira que o dinheiro pode trabalhar e fazer muito mais pelas pessoas, que aconteceu a aquisição de 49,5% da XP pelo Itaú, anunciada no ano passado. A XP, uma boutique de investimento, com um propósito de conscientizar o cliente, educá-lo para fazer suas escolhas, para fazer o dinheiro realmente trabalhar a seu favor, começou em 2001. Com um pitch de educação financeira, a XP rapidamente começou a captar clientes e oferecer uma oferta de produtos financeiros diversificada e com taxas muito mais atrativas do que os bancos de varejo. Como se diz na língua da inovação, a XP é um marketplace dos produtos financeiros que cresce velozmente, com altas margens de receitas, com custo operacional leve e alto potencial de crescimento. Uma empresa que nasceu e cresce num modelo de negócio voltado para a jornada das pessoas. Eles não vendem o produto para as pessoas, eles perguntam para as pessoas o que elas precisam, qual o seu sonho. E se elas não sabem, eles constroem esta jornada para alcançar estes objetivos juntos.

Olhando para o mercado de investimentos, como 95% estão concentrados nos bancos de varejo (a XP tem apenas 2% dos investimentos PF), a manobra feita pelo Itaú não deve ser avaliada apenas pela métrica de múltiplos, do valor das ações ou de seu patrimônio. A decisão é totalmente estratégica. Blindar a concorrência é uma das estratégias das empresas tradicionais para frear o crescimento das start-ups e uma forma de trazer inovação para potencializar os negócios. Para a XP, a transação também traz benefícios como mais recurso para investimento em tecnologia e segurança, elementos já melhor consolidados nos bancos de varejo, além de uma bela carteira de clientes para trabalhar.

Nas mensagens do Banco Central e dos executivos do Itaú e da XP é interessante perceber o discurso alinhado de garantia de independência que o Itaú deverá manter na XP, que continua com 75,4% das ações ordinárias. Segundo analistas, não faz sentido para Itaú colocar a XP abaixo de sua estrutura e matar uma plataforma extremamente lucrativa e com grande potencial de crescimento.

O mercado e a própria sociedade tem pressionado o Banco Central para regular em favor de uma maior competitividade no setor. No entanto, se essa regulamentação não for bem feita, há receio que provoque um colapso no mercado financeiro.

Por fim, além de estar atentos ao movimento das tecnologias exponenciais, as empresas que tratarem a ignorância dos clientes como ponto central do lucro tendem a perder espaço no mercado, já no curto prazo. Concorrência e inovação vieram para ficar.