A crise dos caminhoneiros e o meio ambiente

A crise dos caminhoneiros e o meio ambiente

Wal Flor

05 Junho 2018 | 11h05

Nos últimos 10 dias a maioria da população brasileira foi afetada de alguma forma pela greve dos caminhoneiros. Faltou combustível, transporte, limpeza urbana, alimentos, o atendimento à saúde e o transporte público foram prejudicados e vários outros impactos foram sentidos diretamente pelas mais diversas pessoas, nas mais diversas regiões.

Diante de tantos desafios e situações inusitadas a população começou a se adaptar. Pensar qual o melhor meio de transporte para ir do ponto A ao ponto B, antes de pegar automaticamente o automóvel, foi hábito novo, testado e até aprovado por várias pessoas.

Empresas estimularam o home office, até então pouquíssimo utilizado de forma estruturada e tão ampliada. Caronas se tornaram comuns novamente. A compostagem, a redução do desperdício alimentar, a reflexão sobre ter uma horta em casa ou na comunidade, de onde vem o alimento ou como produzir menos lixo foram assuntos debatidos nas principais mesas brasileiras, ora com famílias, amigos ou colegas de trabalho.

 

Ao mesmo tempo que sentimos na pele os efeitos de uma economia dependente de uma matriz energética baseada em combustível fóssil e de uma logística pouco eficiente, percebemos que independente da crise podemos mudar nossos hábitos. E o mais importante: não vamos perder nossa qualidade de vida, só precisamos nos adaptar.

Vale considerar ainda que um dos principais benefícios da crise dos caminhoneiros foi o ar das grandes cidades. Com menos veículos, especialmente os poluentes a diesel, pivô da discussão, podemos respirar melhor. Mudar hábito vale a pena e ainda economizamos bilhões em saúde pública. A importância de incentivo à veículos elétricos, especialmente os abastecidos via energia solar, também ganharam importância nas páginas dos jornais. Resta saber se o monopólio dos combustíveis da Petrobrás permitirá avançarmos em soluções energéticas mais sustentáveis no longo prazo.

Fomos pegos de surpresa por esta crise e nos adaptamos. Muitas destas novas atitudes podem e devem se transformar em hábitos pelas pessoas. Empresas podem criar novas políticas de flexibilidade de trabalho, estimular produtores locais e investir em energias renováveis em suas frotas. Inovações nascem de crises e muitas empresas e marcas precisam saber aproveitar esta fase para inovar.

Os cientistas que discutem as mudanças climáticas dizem que vamos exercitar 2 verbos cada vez mais com frequência: minimizar e adaptar. Precisamos minimizar nosso impacto no meio ambiente e nos adaptar as condições de escassez de determinados recursos.

Nesta dia 05 de junho, quando se comemora o dia Internacional do Meio Ambiente, fomentar estas iniciativas e praticar estes verbos, com certeza, serão excelentes presentes para o planeta e para nós.