A Diversidade Transforma

A Diversidade Transforma

Wal Flor

20 de agosto de 2020 | 13h11

Pexels, Anna Shvets

O tema “Diversidade” é abrangente e trata de questões relacionadas a gênero, etnia, orientação sexual, deficiência física ou intelectual, diversidade geracional, crenças religiosas, entre outras. Mas é um assunto importante e uma grande pauta atual.

Pesquisas comprovam que grupos diversos geram mais criatividade, inovação e até mesmo maior retorno financeiro. Um estudo realizado pela McKinsey em junho de 2020, aponta que as empresas com lideranças diversas, em termos de gênero têm 14% a mais de chances de superar a performance financeira de seus pares. Este número sobe para 25% quando a diversidade executiva vêm em termos de orientação sexual.

Assim, se torna evidente a relevância do tema para grandes e pequenas organizações, e não à toa ele tem sido cobrado por diversos stakeholders, incluindo público interno, clientes e acionistas. É ir além de uma ação social e marketeira, para um verdadeiro ponteiro transformador sócio-econômico. 

A implementação de um espaço diverso é complexa e não ocorre de um dia para o outro, pois existe uma relação histórica de preconceitos que datam de mais de um século. 

Romper barreiras é desafiador

Valorizar a diversidade é um processo contínuo que deve ser ponderado em todas as decisões de uma empresa. Se ela deseja se tornar diversa, precisa levar em consideração que este é um processo relacionado à cultura organizacional e deve permear: estratégia (compromissos e metas); políticas internas (formalizadas e divulgadas); práticas (ações afirmativas); monitoramento das iniciativas. O diálogo também deve estar sempre aberto com os mais diversos públicos, respeitando e valorizando o lugar de fala.

Recentemente alguns acontecimentos direcionaram os holofotes para a causa racial. A campanha #BlackLivesMatter (#VidasNegrasImportam) por exemplo, tomou forças. 

Posso dizer que é de conhecimento coletivo que o racismo existe no Brasil. A nossa população de pretos e partos chega à 56,8%, segundo estudos recentes do IBGE, ou seja, mais da metade do país. Todos sabemos também, sobre os índices de pobreza e violência racial, e quando colocamos foco nos números do cenário empresarial, vemos que apenas 4,7% de negros compõem quadros executivos [Instituto Ethos], ou seja, quem toma as decisões. Que diferença, não? Como iremos transformar essa realidade com tão pouco lugar de fala?

Muito ainda precisa ser feito para vencer essa luta. A começar por pequenas atitudes, como alterarmos o nosso vocabulário eliminando termos racistas – acesso o material

para conhecer mais – até cobrar das marcas práticas e atitudes que estimulem a inclusão e igualdade. Não é obrigatório frequentar manifestações, apesar de ser uma opção, mas é importante gerar a sua própria microrrevolução – provocar uma mudança evolutiva em pequenos grupos, especialmente durante um curto período e impactar o seu ambiente próximo; a sua cadeia de valor.

Encerro esse artigo com uma pergunta reflexiva: E você? O que está fazendo para estimular essa transformação e contribuir para um mundo mais inclusivo?

Por Marcela Chiaratti, líder de projetos da Lynx e LeVila

20/08/2020

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