Causa social contribui para uma marca vender mais?

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Causa social contribui para uma marca vender mais?

Wal Flor

10 de maio de 2017 | 14h41

Em tempos de crise econômica, as marcas são pressionadas a investirem em iniciativas que aumentem o volume de vendas a curto prazo. Os investimentos em reputação, geralmente de médio e longo prazo, ficam mais escassos. Entretanto, quando o assunto é causa social, nos surpreendemos como o tema gera engajamento entre as pessoas da indústria criativa. Um assunto que encanta a todos, uma vontade de começar a fazer ou de fazer mais. Uma onda onde todos tem o mesmo propósito: um capitalismo mais consciente, uma sociedade mais justa, um mundo melhor.

A questão é que precisamos vender. O foco está nas vendas. E aí vem a pergunta que ouvimos de tantos executivos: Há algum estudo que comprove que causa social vende mais?

Créditos: divulgação

Os estudos que correlacionam os investimentos em causa social ao crescimento de vendas ainda não são profundos, tampouco oferecem grandes certezas para aqueles que se guiam apenas por pesquisas. O que posso confirmar a partir de mais de 12 anos de jornada no tema e com depoimentos de gestores de marcas, que há alguns anos investem com consistência em causa social, é que sim, uma postura consistente, autêntica e criativa pode impactar positivamente o resultado das vendas.

Como? Existem vários estudos que confirmam uma tendência no comportamento da sociedade, principalmente dos jovens, que definitivamente querem viver num mundo melhor, querem saber o que as marcas fazem ou mesmo como podem fazer juntos. E muitos destes consumidores já pressionam as marcas, amplificando suas vozes nas redes sociais.

Num recente debate sobre o tema, Samantha Almeida, responsável por conteúdo criativo na Avon, confirma: “pressão da opinião pública funciona bastante”, e deixa a dica “usem o seu poder de consumidor para mudar uma marca”.  Há mais de 5 anos a marca mudou sua estratégia de marketing do produto BB Cream para atender a diversidade de tons de pele das mulheres, e aproveitou para ampliar o diálogo sobre a questão racial em suas redes sociais. “Antes este produto não era nada no portfolio, agora é tudo”, confirma Samantha.

No mesmo painel, Daniela Cachich, atual Pepsico, ex-Heineken e umas das executivas mais corajosas e admiradas do mercado brasileiro confirmou: “quando estava na Heineken pude acompanhar o crescimento da marca em dois dígitos por ano, e credito esse avanço à forma como resolvemos fazer uma comunicação inovadora, algo diferente do que a categoria estava fazendo”. É claro que também é preciso entregar o produto. Tem que fazer sentido. Acima disso é necessária coragem e resiliência para se apropriar do assunto.  A primeira vez pode causar um estranhamento, depois parece normal, até se tornar cool & sexy.

Admiro e muito a coragem dessas mulheres  que cada vez mais sabem da importância de seu papel num cargo corporativo, reconhecem seu poder de influenciar e transformar as pessoas.  Em um outro evento sobre empreendedorismo, o israelense Erez Yerushalmi, Chief Innovation Officer da incrível startup Avante, trouxe uma ótima definição sobre performance de uma empresa: “sucesso é a capacidade de impactar os outros”. Então, vamos fazer uma correção na pergunta título deste texto: sua marca faz sucesso?

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