Como chegar nos 50/50?

Como chegar nos 50/50?

Wal Flor

08 de março de 2019 | 10h45

No Dia Internacional das Mulheres, temos muito o que celebrar. Afinal, nos últimos anos, diversos indicadores evidenciam os avanços da jornada feminina em busca da igualdade entre mulheres e homens. Igualdade de gênero é uma questão de direitos humanos e ainda estamos longe de chegar nos 50/50. Vale ressaltar que igualdade não significa que mulheres e homens são os mesmos, mas que os direitos, responsabilidades e oportunidades de homens e mulheres não devem depender do fato de nascerem do sexo masculino ou feminino, como informa a ONU.

Dada a relevância do tema, dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável elaborados pela ONU, e que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030, “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas” é o 5º deles e específico sobre o assunto.

Mas afinal, o que é este tal de empoderamento das mulheres?

Consiste em realçar a importância de que as mulheres adquiram o controle sobre o seu desenvolvimento, devendo governo e sociedade criar condições para tanto, e apoiá-las neste processo. Desta forma, lhes garantir a possibilidade de realizarem todo o seu potencial na sociedade, e de construírem suas vidas de acordo com suas próprias aspirações.

Para que estas metas sejam plenamente alcançadas, temos que incluir as especificidades de mulheres negras, indígenas, quilombolas, lésbicas e bissexuais, trans, entre outras. Então, o trabalho é duro. E como ninguém muda o mundo sozinho, parcerias com os entes mais poderosos do planeta precisam ser feitas para acelerarmos as mudanças de ponteiro.

É aí que entra o papel das empresas. As multinacionais presentes no Brasil estão mais avançadas no tema do que as empresas nacionais, embora o mercado seja variado. Nas multinacionais, o apoio da matriz de um país mais desenvolvido do que o nosso favorece a pauta. Já nas empresas nacionais, o assunto ainda não é prioridade, mas começa a ganhar destaque.

Um estudo global “Getting to Equal 2018” feito pela Accenture, recomenda que a mudança de cultura comece internamente de cima pra baixo, nas organizações. Bom, aí é que os números complicam. A consultoria Spencer Stuart afirmou recentemente que a falta de diversidade é o maior desafio nos conselhos de administração das maiores empresas do Brasil. A participação de mulheres como titulares e suplentes de conselhos não chega a 10% no país.

Na diretoria executiva das organizações privadas os índices estão mais animadores. A análise de dados da Folha de São Paulo em parceria com a RAIS (relatório de informações sócio-econômicas solicitado pelo Ministério do Trabalho e Emprego), mostra que cresceu de 31,9% em 2003 para 42,4% em 2017, o percentual de mulheres como dirigentes de empresas com idades entre de 30 a 49 anos. Uma tendência também verificada pela consultoria Great Place to Work: um aumento de 11% para 42% no número de mulheres em cargos de chefia, nas 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, nos últimos 11 anos. Um crescimento considerável, uma vez que é nesta fase da vida que a maioria das mulheres encontram barreiras para conquistar suas oportunidades de carreira, por conta da maternidade.

Para promover a mudança no ambiente interno, a Accenture definiu um grupo de 14 fatores mais efetivos. Divididos entre: liderança ousada, ações abrangentes e ambiente empoderador, os fatores incluem questões como: “Diversidade de gênero é uma prioridade para liderança?”; “Trabalho remoto é uma alternativa permitida e prática comum?”; “Homens são encorajados a tirar licença paternidade?”;“Os funcionários se sentem à vontade para reportar casos de assédio sexual e discriminação à empresa?”.

Estimular a criação de grupos de networking para as mulheres, abertos a receber a contribuição de homens, também é uma outra ação de destaque. Estas são apenas algumas iniciativas internas para acelerarmos nossa chegada nos 50/50. Visando ampliar os compromissos com a identidade de gênero, as empresas podem ainda usar suas marcas para se posicionarem no tema, o que gera bastante conversa nas redes sociais.

Marcas de sucesso tem abraçado a causa feminina e estão descobrindo o poder da comunicação para transformar e inspirar vidas. Além de vender mais, é claro. Mas como nosso lema é  se adaptar para transformar, vamos em frente.

Uma das iniciativas mais recentes é a emocionante “Dream Crazier” da Nike, estrelada por Serena Williams, encorajando as mulheres a terem um sonho “louco”.  As veteranas na jornada feminina vão de Dove para promover a autoestima, passando pelo bonito movimento  “Like a Girl”, de Always. A polêmica e belíssima “The Best Man Can Be”, da Gillette, trata da masculinidade tóxica, agrada mulheres e desagrada milhares de homens. O efeito mostra que os machistas estão em peso nas redes sociais, representados por comentários negativos sobre o filme.

Na linha do empreendedorismo, as plataformas como a “10.000 Women”, da Goldman Sachs, a “Women in Tech”, da Booking.com e a brasileira “Vai Garota”, do Itaú, são iniciativas que oferecem ferramentas eficientes para a autonomia financeira da mulher.

A igualdade de gênero também é a minha causa. Eu luto para que iniciativas como estas sejam consistentes e se comprometam com o “como e quando” chegaremos nos 50|50.

Em tempos modernos, usemos o tema definido pela ONU para o Dia Internacional das Mulheres em 2019: pensarmos em igualdade e construção das mudanças com inteligência e inovação.

 

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