Ao encontro do carnaval, causas sociais precisam ser divertidas e ousadas

Ao encontro do carnaval, causas sociais precisam ser divertidas e ousadas

Wal Flor

21 de fevereiro de 2017 | 11h42

Nesta semana começa, ou já começou, em muitas cidades a maior festa popular do país. Dias em que a tristeza e a preguiça ficam de lado para dar espaço à alegria, diversão e a crítica bem-humorada às mazelas do nosso país. O carnaval carrega a utopia da igualdade de gênero, classes, cores e religiões num movimento que fica cada vez mais presente nos blocos engajados das principais cidades do país.

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Créditos: divulgação

E não raro, junto com essa festa também aparecem os impactos negativos da celebração, principalmente causado pelo excesso de álcool e drogas. Violência, sujeira, assédio, sexo sem proteção e mal-estar estão entre as principais consequências. Estas são algumas das razões para diversas marcas não se engajarem na folia. As que se beneficiam da celebração, uma vez que a data faz parte do pico do calendário de vendas nacional, se aventuram naturalmente, como as de bebidas alcoólicas, preservativos e medicamentos.

Entretanto, preocupadas em minimizar os riscos atrelados à sua imagem, estas marcas têm aumentado, mesmo que timidamente, os investimentos em consumo responsável. Organizadores de festas e camarotes também se preocupam em ter um espaço onde reine somente a alegria.

O Camarote N1 da Sapucaí, espaço comandado pelo empresário José Victor Oliva e o mais desejado para se estar durante os desfiles das escolas de samba do Rio, por exemplo, lança a campanha #carnavalsemmico, assinada pela agência Lynx. Além de mensagens divertidas, como “abrace a festa, não a privada… beba com moderação”; “não perca o tesão… beba com moderação” dispostas em lugares inusitados, a campanha também prevê intervenções de “micos gigantes” durante a festa, para chamar atenção do público na mesma sintonia do carnaval.

Já em Salvador, na chegada dos foliões, a Ambev vai distribuir no aeroporto “pílulas mágicas” que cortam a bebedeira. Ao abrir a pílula, a mensagem esclarece ao folião: “se liga, milagres não acontecem. Beba com moderação e curta mais a diversão”. A Amstel investe numa atuação mais segura, mas que também promove bons resultados com a parceria da linha amarela do metrô de São Paulo e mensagens de conscientização nos painéis eletrônicos dos blocos de rua. A Skol, depois de alguns aprendizados, pega carona na diversidade, tão latente no carnaval, e extrapola a temática durante o ano.

Marcas de produtos infantis também tem se aventurado no carnaval e aproveitado a crescente demandas de pais em busca de mais segurança e conforto para os pequenos durante a folia. Viver experiências de alegria e diversão que aumentam o vínculo afetivo entre família e amigos, os impactos positivos da festa, tem inspiradas marcas como Empório da Papinha no carnaval de São Paulo. As memórias afetivas geradas nestas experiências com certeza contribuirão para a fidelização de seu público.

Entrar no clima do carnaval da forma correta pode parecer fácil, mas não é. Demanda um planejamento prévio que, além da criatividade, também exige uma análise de riscos com ações de prevenção e contingência. Tudo será superado se for autêntico e verdadeiro da marca. Fantasias, só na avenida.

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