Empreendedorismo: o Tom da Minha Vida

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Empreendedorismo: o Tom da Minha Vida

Wal Flor

20 de novembro de 2020 | 11h50

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Quando nasce um filho, é comum nascer uma empreendedora. Muitas vezes não por vocação ou sonho, mas por necessidade. No meu caso, eu diria que foram as três situações ao mesmo tempo. Começou por necessidade. A vocação e o sonho vieram depois. Tenho mais de 30 anos de experiência profissional, os últimos 15 foram como empreendedora, data que coincide com o nascimento do meu primeiro filho, Tom. 

Antes de ser mãe trabalhava demais, viaja muito, ficava estressada e tudo era intenso na minha busca por autonomia financeira. Venho de família humilde, a minha educação básica foi em escola pública e desde os 16 anos comecei a trabalhar para me sustentar e pagar meus estudos em busca de uma vida melhor. Costumo dizer que vim do degrau “menos 30”, na escalada do sucesso profissional. Para alcançar meu lugar ao sol, sempre tive que correr muito para chegar perto dos meus competidores. Resiliência e coragem definem! 

Foi difícil engravidar nesse ciclo intenso. Tinha ainda o desejo de ser uma mãe de verdade e não terceirizar o projeto para cuidadoras. Queria viver a intensidade da maternidade. No ambiente corporativo, sempre via mães muito culpadas por trabalharem demais e não acompanharem seus filhos. Muitas largaram seus empregos e esse foi o meu caso. Isso se deve ao machismo estruturado e institucionalizado das organizações corporativas que penalizam mulheres que engravidam. Se diversidade e inclusão fossem tendências há 30 anos, minha jornada teria sido menos árdua. Mas nada é por acaso.

Com o nascimento do meu filho veio a crise da profissão como publicitária. O que vim fazer neste mundo? Mudar os desejos das pessoas para fazerem elas consumirem mais? Como construir um mundo melhor para meu filho? Qual é a minha potência? Esses e outros questionamentos deram início ao meu primeiro negócio: a agência Lynx, que nasceu durante a minha licença maternidade. Nasceu da vontade de fazer um mundo melhor. Um mundo onde empresas, governo e sociedade lutam pelas mesmas causas e ideias.  Sempre acreditei que lucro e impacto positivo poderiam conviver de forma harmoniosa. Hoje isso parece meio óbvio, chamado de capitalismo de stakeholder. Há 15 anos, vejo o quanto fomos visionárias. Aos poucos aprendi que diversos pensadores, especialistas e executivos pensavam e pensam como nós. 

Tenho muito orgulho de ter realizado projetos incríveis, envolvendo criatividade e profundidade. Tudo para atender aos desafios das mais diversas temáticas, empresas e marcas como Ambev, Pepsico, Kimberly, Unilever, Uber, Bradesco, Natura, Cogna, Eurofarma, Embraer e tantas outras. 

Hoje, olhando para trás, é fácil falar do nosso sucesso e das flores. Mas também tivemos e temos muitos espinhos pelo caminho. Como diz Reid Hofmann, co-fundador do LinkedIn: “Empreender é construir avião durante a queda”. Sem manual fica ainda mais difícil. Meu manual foi estudar muito e aprender com pessoas incríveis. 

Durante a pandemia, senti que esse aprendizado deveria ser compartilhado com quem mais precisava. Com a contribuição de pessoas muito especiais, lançamos uma startup, um negócio de impacto: LeVila. Neste novo negócio o propósito é empoderar microempreendedoras em situação de vulnerabilidade para conquistarem sua autonomia financeira por meio do seu próprio negócio. Mulheres que vieram do “menos 50” na escalada profissional. Por isso, me emociono tanto quando faço as mentorias para estas mulheres. A alegria e gratidão nesse processo de reciprocidade são indescritíveis. 

Tenho que confessar que continuo gostando de uma vida intensa, de sair da zona de conforto, de construir aviões em queda. Como nada é por acaso, há menos de 30 dias meu filho Tom decidiu sair de casa, aos 15 anos de idade. Com muita coragem, foi para Israel seguir seus sonhos mundo afora. Assim como o Tom, eu quero voar. Sua ida para outros mundos me encoraja a construir um novo avião. Definitivamente, empreendedorismo é o Tom da minha Vida!

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