Escolhas mais sustentáveis para a retomada

coluna

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Escolhas mais sustentáveis para a retomada

Wal Flor

01 de junho de 2020 | 12h22

Em tempos Covid-19, um estudo publicado recentemente na revista Nature Climate Change, aponta que as emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global, devem cair de 4 a 7% em 2020. O número final vai depender de quanto tempo mais vai durar o isolamento nos diferentes países. Essa seria a maior redução anual única de emissões absolutas desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No próximo dia 5 de junho, dia internacional do meio ambiente, em plena pandemia, os números devem ganhar repercussão, como um dos efeitos colaterais positivos do vírus. As águas mais cristalinas em Veneza, os golfinhos de volta à Sardenha, e os bichos mais à vontade em praias e parques mundo afora, também vão rechear as redes sociais durante a semana.

Neste sentido, a data ganha relevância em diferentes formas, ao refletir, chamar a atenção e confirmar como nosso estilo de vida pré-Covid, impactava negativamente o meio ambiente. A natureza respondeu rápido.

A verdade é que estamos num alivio temporário. Com menos gente circulando e viajando, o setor de transporte aéreo e rodoviário contribui positivamente para a reduções das emissões de GEE. E com isso, aprendemos a valorizar um ar mais limpo e silencioso, essencial para nossa saúde e bem-estar.

Mas enquanto o mundo todo está num processo de redução de emissões de GEE para 2020, ou até mesmo para os próximos anos, o Brasil, infelizmente, está na contramão. Estamos distantes de resolver nosso maior desafio: o desmatamento da Amazônia. Considerado um dos principais causadores das emissões brasileiras, nos primeiros 4 meses de 2020, o desmatamento aumentou 55% na região, em relação à 2019, segundo dados preliminares do próprio governo.

“Desmatador não faz home office”, disse recentemente Paulo Moutinho, cientista sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).  O temor de uma onda de infecções pelo corona vírus levou o governo federal a tirar os agentes do Ibama do campo. Enquanto isso, aumenta a invasão de terras indígenas e intensificam-se o corte de madeira ilegal. A situação deve se agravar ainda mais por conta da redução do consumo de carne bovina.  Com mais bois no pasto, aumentam as emissões de gás metano, provocadas pelos dejetos do animal.

Então qual a saída? Deixar passar a boiada?  Não. Todos nós podemos aproveitar o momento desta crise e fazer escolhas melhores para a retomada de uma nova economia. Uma economia de baixo carbono.

Governo e empresas podem estender algumas medidas para além do isolamento e estabelecer novos padrões de trabalho, como o home office e a redução de viagens de negócios. Outros exemplos ainda mais transformadores, passam por condicionar crédito, investimento e seleção de fornecedores que contribuam para resolver mais rapidamente os nossos dilemas socioambientais, intensificados nesta crise.

Nesse sentido as empresas, visando perenizar seus negócios, tem uma responsabilidade ainda maior neste novo mundo. Temos que trilhar, junto com governo, um Brasil mais justo e humano na saúde, na educação, na economia e também no meio ambiente.

Segundo a Black Rock, maior gestora de recursos financeiros do mundo, as empresas resilientes, com sólido posicionamento em temas materiais de sustentabilidade, estão posicionadas para obter um melhor desempenho e devem ter melhores condições de enfrentar situações adversas, principalmente se atuarmos de forma mais coordenada.

Outro grande legado que a pandemia pode nos deixar é saber ouvir mais a ciência para resolver problemas complexos. Assim como o Covid-19, nas questões relacionadas às mudanças climáticas, temos ainda que saber respeitar as diferenças sociais e ambientais de cada pedaço do mundo.

Prontos para uma retomada mais sustentável?

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