MAIS BRASIL, MENOS DRAMA

Wal Flor

17 Setembro 2018 | 09h37

O Brasil tem vivido desde 2014 a pior crise econômica e política de sua história, com episódios regulares que criam um ambiente instável, especulativo e dramático, agravado por um ano eleitoral disputadíssimo.
O resultado de uma economia tem fatores históricos e políticos complexos, mas não impossíveis de se alterar. Com competência, resiliência e ética de governos, iniciativa privada e sociedade, podemos mudar o status quo de uma situação secular. Mas leva tempo e precisa de consistência. O foco deve ser num plano de nação, não num plano político. Em tempos onde o mundo vive uma tendência de crescimento consistente, o Brasil amarga seu pior momento.
Onde estamos errando?
Para se manter num ciclo econômico de crescimento sustentável, a receita de países como EUA, França e Alemanha parece simples e é seguida pela maioria dos países ricos. A taxa de inflação não deve ultrapassar os 2% ao ano, com o consumo sendo estimulado de forma responsável. As taxas de desemprego devem ser mantidas entre 4 e 6%, no máximo. Baixas também devem ser as taxas de juros, preferencialmente menos que 1.8%, para estimular o investimento na produção. Esta receita de equilíbrio entre as variáveis, tem garantido um PIB anual médio de mais de 3%. Uma exceção a esta receita é a China, com componentes que não serão analisados nesta conversa.
Se temos tantos benchmarks econômicos, com os mais variados casos de sucesso e até mesmo fracassos, como é o caso da nossa vizinha Argentina, por que é tão difícil promovermos um crescimento justo para todas as nações, reduzindo as desigualdades sociais e melhorando a qualidade de vida da população?
Para garantir a produção de riqueza de um país também é relevante observar a capacidade de produção, o seu mercado consumidor e o investimento em tecnologia e educação. Por estes aspectos talvez fique mais fácil entender porque países com pouco investimento histórico em tecnologia, educação e capacidade produtiva ainda amargam resultados desanimadores, mesmo em tempos de crescimento global.
O Brasil, infelizmente é um destes exemplos negativos. A falta de eficiência nas áreas prioritárias provoca uma instabilidade econômica vividas nos últimos 100 anos. Sem reformas estruturadas e urgentes, nosso país continuará a amargar o 9o lugar na economia mundial, mesmo com mercado interno de mais de 200 milhões de habitantes. A Alemanha tem cerca de 83 milhões de habitantes e está em 4o lugar na economia global, com o dobro do PIB do Brasil.
Com a instabilidade dos últimos 4 anos, provocados por choques econômicos ou políticos, totalmente internos, nosso Brasil tem sofrido para manter a taxa de inflação dentro das metas. E para controlar as taxas de inflação o remédio clássico: aumento de taxa de juros. O efeito colateral aparece e enfraquece o investimento em novos negócios, no aumento da produção.
Com a redução do investimento na produção, o desemprego aumenta. Este é o cenário de 2018. Mesmo com uma ligeira tendência dos últimos meses, o índice de 13% de desemprego, divulgado em julho, ainda está muito alto. Trabalhador sem ou com menos renda desacelera o consumo e consequentemente a produção. E assim, as previsões para o PIB 2018 são mais uma vez revistas para baixo. O ritmo de aceleração desejado e esperado por todos nós, pós recessão, pelo jeito, vai demorar um pouco mais para acontecer.
Com poucos recursos para alterar a política fiscal, pouca ênfase na economia comercial e ainda com tempestades como a greve dos caminhoneiros, o ano de 2018 ainda conta com eleições estaduais e presidenciais, que deixa o cenário ainda mais especulativo. Segundo economistas, o barco ainda está sob controle, mas perspectivas mais animadoras mesmo somente em 2019, 2020. E dificilmente nada acima de 3% anuais. E ainda precisamos torcer para que o mundo não passe por nenhuma crise global neste período.
Enfim, depende de nós. E quem somos nós? Nós somos os 3 poderes de uma nação formado por governo, iniciativa privada e sociedade civil. Temos que focar no que realmente vai fazer nosso país prosperar nos próximos anos e acelerar a qualidade de vida da população. Educação, saúde e segurança são áreas prioritárias para promovermos transformações relevantes.
Na educação por exemplo, segundo a OECD (Organização Econômica de Cooperação e Desenvolvimento), o investimento nesta área pode impulsionar em sete vezes o PIB de um país. Neste contexto, é imprescindível que as empresas invistam em educação, seja com foco no ensino básico, médio, profissionalizante ou superior. Priorizar alguns indicadores de avaliação é fator estratégico para saber onde queremos chegar. O PISA por exemplo é um deles. O programa da OECD, conhecido como Programa Internacional de Avaliação de Alunos, é um índice que abrange as áreas de leitura, matemática e ciências. O Brasil amarga o 63o lugar, num ranking com 70 países. Singapura, Japão, Estônia, China e Finlândia encabeçam os 5 primeiros lugares.
Um movimento para colocar um o Brasil entre os 15 melhores do ranking do PISA até 2030 começa a ser articulado com os principais nomes do governo, das universidades, das empresas e sociedade civil. Uma excelente causa, um relevante investimento para marcas e empresas que querem crescer seu ROI a longo prazo. Sem drama. Esse é o Brasil que eu quero.