Mobilidade e empreendedorismo em Helipa

Mobilidade e empreendedorismo em Helipa

Wal Flor

26 de março de 2019 | 12h24

 

Por Bettina Grajcer, sócia-fundadora da Lynx

Um dos grandes problemas enfrentados por moradores das grandes cidades é a locomoção. Por um lado, o transporte público nem sempre consegue atender a demanda com qualidade e conforto, e por outro, as longas distâncias somadas aos congestionamentos acarretam numa longa permanência no trânsito.

Os moradores de baixa renda das periferias, que frequentemente se deslocam diariamente à região central, onde estão concentrados os empregos, dedicam uma parte considerável de sua jornada diária ao ir e vir. Uma pessoa que leva 1h30 para ir e mais 1h30 para voltar do trabalho, soma 60 horas no mês em deslocamento, 720 horas no ano, ou seja, 30 dias no trajeto!

A solução não é simples, e não existe uma única forma de transporte que resolva todos os desafios. Para melhorar a mobilidade, é preciso evoluir para um sistema de trânsito multimodal, adicionar novas formas de transporte, integrar ônibus, metrô, bicicletas, patinetes, etc.

Os aplicativos de motoristas apresentam-se como uma alternativa interessante para a mobilidade urbana, principalmente quando utilizados de forma complementar ao transporte público, para cobrir os quilômetros iniciais de casa até o ponto final de ônibus, metrô ou trem ou os últimos quilômetros do transporte público até o trabalho. Em comunidades de baixa renda, além de serem uma opção alternativa para a composição do trajeto, abrem portas para a geração de renda.

Pensando nisso e tendo em vista o desejo de melhorar o acesso da população local à plataforma de mobilidade, a Uber aproveitou um convite da CUFA (Central Única das Favelas), para entender a realidade e necessidades de Heliópolis, e lançou um projeto piloto que vai aumentar o acesso da população local à plataforma, tanto como opção de mobilidade quanto para geração de renda.

No planejamento deste projeto piloto, reunimos CUFA, Uber e uma série lideranças locais para ouvir os moradores, usuários e motoristas, e entender de forma ampla as principais demandas da região. Nas rodadas de conversa, percebemos que existe um interesse da população na utilização do serviço, seja para fugir da fila do terminal lotado, ou para dividir com amigos ao voltar de um curso, por exemplo. No entanto, pedir um carro na comunidade não era tão simples, pois muitas vezes as viagens eram canceladas pelos motoristas que não conheciam a comunidade, devido a problemas como dificuldade de acessar as vias estreitas, já que os mapas nesses locais não são confiáveis. Identificamos inicialmente duas necessidades principais: melhorar a experiência das pessoas que querem utilizar o aplicativo, e apresentar para os moradores novas oportunidades para a geração de renda, seja dirigindo com a Uber ou fazendo entregas com a Uber Eats.

Para melhorar a vida das pessoas que queriam pedir um Uber e tornar o serviço acessível para todos, a empresa criou 4 pontos de embarque em locais de fácil acesso e que ficam a, no máximo, 7 minutos de caminhada de qualquer local da comunidade. Em um destes pontos, foi instalado um parklet, com uma área de convivência que será utilizada para realização de atividades culturais.

Também será realizada uma feira de empreendedorismo na comunidade, onde a empresa vai levar outros parceiros como instituições financeiras, empreendedores e startups para ajudar os moradores a desenvolverem o seu lado empreendedor.

Buscando contribuir ainda mais para o desenvolvimento da comunidade, também estão sendo realizadas pela Uber outras ações, como o patrocínio da Taça das Favelas, para estimular a prática de esportes, e de projetos realizados pela UNAS – Heliópolis e pelo Instituto Sou da Paz, que beneficiam a região.

Para ensinar as pessoas a utilizar o novo serviço do aplicativo no local, foi lançada uma campanha, totalmente feita por moradores da região. Os vídeos contam histórias de moradores locais, e a campanha ainda traz o selo “Feito em Heliópolis”, buscando valorizar o que a comunidade tem de melhor.

Tudo de bom, né? Para comunidade, para os motoristas, para a cidade, e para a Uber. O projeto tem tudo para dar certo, e ser replicado em outras comunidades. Ótimo exemplo de como as empresas podem e devem contribuir de forma eficiente com a sociedade.