O efeito Greta, uma ativista ambiental de 16 anos

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O efeito Greta, uma ativista ambiental de 16 anos

Wal Flor

04 de junho de 2019 | 19h20

Greta Thunberg acredita que as novas gerações precisam se mobilizar para exigir dos líderes mundiais maior responsabilidade com o meio ambiente. Foto: Medium https://bit.ly/2JWoCJg

No último dia 24 de maio, numa sexta-feira chuvosa, crianças e jovens de escolas de São Paulo se engajaram na greve global pelo clima, lançada pela ativista sueca Greta Thumberg.

Greta é uma menina de 16 anos que luta pelas mudanças climáticas. Depois de entrar em depressão e ser diagnosticada com síndrome de Asperger aos 11 anos, Greta começou a se interessar pelo assunto e focar todas as suas atenções para a causa ambiental. Em agosto de 2018, começou uma greve todas as sextas-feiras, expondo seu cartaz em frente ao parlamento sueco. Em sua lógica, se os adultos não param o que estão fazendo para protestar, as crianças precisam fazer algo.  Em seus protestos semanais, Greta cobra do governo sueco a assinatura no Acordo de Paris, que propõe metas de emissões de gases de efeito estufa para as nações.

Já em dezembro de 2018, Greta estava no evento da ONU palestrando para autoridades do mundo todo. Hoje seu nome já surge como uma forte candidata ao Nobel da Paz. Seu movimento se tornou digital, global e na semana passada chegou em frente à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Governo de Estado de São Paulo.

Para a surpresa dos cerca de 30 estudantes brasileiros, o assessor de mudanças climáticas do governo e também representante do IPCC (Painel de Mudanças Climáticas, da ONU), o brasileiro Oswaldo Lucon, convidou os jovens a entrarem e iniciou um diálogo com os ativistas. Explicou os desafios de trazer e resolver esta pauta para o dia a dia das empresas e governo, mas estimulou as jovens presentes a mirarem cargos públicos e corporativos para mudar a situação em larga escala. A conversa não deixou os jovens satisfeitos. Como Greta costuma dizer “eu não quero que vocês sejam esperançosos com o futuro, eu quero que vocês entrem em pânico”. Mesmo que a conversa tenha frustrado algumas partes, importante destacar que os jovens brasileiros foram ouvidos.

Nesta semana num evento sobre o futuro da Mobilidade Urbana, realizado pelo Estadão, em parceria com a 99, um grupo formado por crianças de 11 anos chamava atenção no meio de uma audiência adulta qualificada, que reuniu representantes da iniciativa privada, governo e formadores de opinião. Assim como os adultos, as crianças participavam das discussões sobre a sustentabilidade do ir e vir das pessoas e sobre a importância da inclusão e diversidade nas cidades.  Em uma das sessões do seminário, num painel formado apenas por representantes femininas, o assunto era como a rua é mais vulnerável e violenta para mulheres. No momento de diálogo com a plateia, um aluno de 11 anos perguntou para uma das especialistas que tinha acabado de relatar uma situação de assédio na rua: “O que nós homens podemos fazer para ajudar uma mulher numa situação como essa?“.

A sensibilidade e a empatia do garoto provocaram comoção na audiência adulta, especialmente a masculina. A pernambucana Simony Cesar, fundadora da startup Nina, uma solução que conecta denuncias de assédio ao sistema público de transporte, compartilha a dica com a plateia adulta e infantil: “…você pode chegar perto da mulher e mostrar que é um amigo, oferecendo proteção, mas de forma preventiva você precisa mesmo é conversar com seus amiguinhos e pautar o assunto sobre o que fazer para evitar a violência contra mulher”.

Ainda sobre diálogos, numa dimensão mais global, na semana de 23 de maio aconteceu em Montreal, no Canadá, a conferência C2. Um evento que fala de tecnologia e negócios de um jeito diferente. O efeito Greta também apareceu por lá e colocou no palco jovens menores de 17 anos para apresentarem soluções para as questões ambientais.

O movimento Fridays for future criado por Greta tende a dar força para uma geração de nativos digitais, a geração Z, que apesar de ser a última letra do alfabeto, não quer ser a última geração deste planeta e por isso cobra soluções imediatas. O planejamento de governos e empresas dificilmente é desenvolvido pensando nos próximos dez, vinte ou trinta anos, porém, em 2050, a geração Z estará na metade de sua vida.

Em 2103, quando Greta completar cem anos, quais histórias que ela contará sobre as pessoas que viveram em 2019 e o que elas, que têm dados científicos, influência e poder para virar o jogo, fizeram para o planeta?

Nesta semana que se comemora globalmente o meio ambiente precisamos engajar com foco na ação. E você, o que vai fazer a partir de hoje?

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