O mantra dos colonizadores digitais

O mantra dos colonizadores digitais

Wal Flor

19 de novembro de 2018 | 10h01

É fato que o mundo tem se movido de forma muito rápida, mas este é o mundo que queremos? Estamos fazendo a coisa certa? Quem está criando o futuro?

Estas e outras questões estão presentes nos grandes fóruns globais de tecnologia e inovação. Em um dos mais recentes, o Web Summit de Lisboa, considerado o maior evento de tecnologia da Europa, o berço da civilização ocidental, a organização abriu as portas para mais de 70 mil pessoas atentas à colonização digital. As discussões foram pautadas pelo impacto positivo da tecnologia em diversas áreas como saúde, educação, entretenimento, finanças, mobilidade entre outras, com as mais diversas soluções tecnológicas sendo apresentadas por centenas de empreendedores.

Todavia, em tempos de falta de privacidade, insegurança dos dados e com uma regulação que não consegue acompanhar as rápidas mudanças tecnológicas, as críticas e os questionamentos para onde estamos indo e como estamos indo, tiveram lugar de grande destaque durante os 3 dias da conferência. As grandes empresas que dominam o mercado digital, também conhecidas como GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) foram os principais alvos das críticas e estão tentando se defender.

O Google, por exemplo, fez toda sua apresentação focada em segurança de dados e assegurou como prioridade de negócio encontrar soluções para ampliar a privacidade dos mesmos. Entre as iniciativas do gigante digital, destacam-se programas de educação para o usuário, por meio de ferramentas mais simples, acessíveis e flexíveis. Há cerca de 4 meses, em parceria com Microsoft, Facebook e Twitter lançou o Data Transfer Project, que tem por objetivo oferecer a portabilidade dos dados do usuário para qualquer outra plataforma, ou seja, todo seu histórico no Gmail, por exemplo, em breve poderá ir para qualquer outro provedor. Considerando que os dados são de propriedade do usuário, parece óbvio, mas isso ainda não é realidade.

Segundo Christopher Wylie, o jovem canadense de 28 anos, um dos criadores da Cambridge Analytica, que arrependido de suas criações, denunciou o Facebook no início do ano, nós só ficamos seguros quando a regulação e a legislação funcionam. Seu questionamento é intrigante e assustador com perguntas ainda sem respostas como: Onde estamos guardando todo o estoque de dados gerados pela internet? Quem são os stakeholders que estão criando o futuro?

Não há dúvidas que a inteligência artificial e os dados estão moldando nosso futuro e seus impactos já estão sendo sentidos, sejam eles positivos ou negativos. A sociedade não está educada para este futuro, apenas uma elite faz parte desta construção. Vários empregos estão sendo destruídos, mas vários outros estão sendo criados. Há dúvidas se estamos incluindo ou excluindo mais pessoas com a revolução digital. Segurança e privacidade ainda são desafios gigantescos e nós ainda não sabemos lidar com isso tudo.

Enfim, é certo que todos os negócios serão “disruptados”. É uma questão de tempo. As empresas de tecnologia estão atentas a estas pressões e o novo mantra é ter um propósito verdadeiro e ser mais criterioso com seus ganhos financeiros exponenciais. A razão de existência das organizações deve ser melhorar a vida das pessoas, de forma ética e responsável. Será que estamos todos preparados para esta revolução?

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