Plano Municipal Primeira Infância: empresas onde estão vocês?

Plano Municipal Primeira Infância: empresas onde estão vocês?

Wal Flor

07 Agosto 2018 | 20h31

Em um país com tantos desafios como o Brasil, causas é o que não faltam para as marcas e empresas se envolverem. Aliás, por termos tantos problemas, a dificuldade é justamente escolher um tema, de preferência que tenha conexão com o negócio ou com o propósito da marca.

Nos últimos 14 anos, por meio da Lynx, tenho me dedicado exclusivamente a assessorar marcas, empresas e organizações a fazerem o correto investimento em iniciativas de impacto positivo. Somos desafiados constantemente com os mais variados temas e um deles aparece com certa frequência: o desenvolvimento infantil.

De acordo com a Constituição Federal brasileira, artigo 227: criança é prioridade absoluta. A prioridade também parte das Nações Unidas (ONU) e de seus organismos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a UNICEF e a UNESCO. Afinal, é amplamente reconhecida a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento humano. E como podemos garantir o desenvolvimento integral da criança e sua proteção?
A intersetorialidade, no desenho e execução de políticas públicas e parcerias público-privadas é um caminho a ser explorado.

Nas últimas semanas o assunto ganhou ainda mais relevância depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) votou a favor da permanência das crianças de até 6 anos na educação infantil. Uma vitória, uma vez que existe uma diferença entre educar e ensinar. Diversos estudos científicos comprovam os benefícios do universo lúdico e da brincadeira para o desenvolvimento integral da criança. Brincar é coisa séria.

Além da decisão do STF, na última semana aconteceram várias inciativas em São Paulo que marcaram a Semana Municipal da Primeira Infância, que integra pela primeira vez o calendário oficial da cidade. A semana é fruto de iniciativas anteriores como o Plano Nacional e Estadual da Primeira Infância, a Lei Municipal e outras ações que visam garantir os direitos destes pequenos seres, incluindo gestantes. Estas iniciativas todas visam chamar atenção da população, da sociedade civil organizada e da iniciativa privada para juntos construirmos o Plano Municipal da Primeira Infância. Um plano estratégico para o município, que definirá indicadores e metas para os próximos 10 anos.

Um seminário com especialistas contribuiu para compartilhar os desafios e oportunidades que todos nós podemos oferecer para garantir os direitos das crianças. Governo e sociedade civil estavam presentes para discutir o Plano Municipal, que deverá ser lançado no próximo dia 12 de outubro. As empresas, que em breve vão precisar desta mão de obra para produzirem seus produtos, e as marcas, que adoram utilizar o sorriso lindo e genuíno das crianças em campanhas de marketing, infelizmente não estavam presentes.

Em tempos onde a mortalidade infantil, após 15 anos em queda, aumentou 4,19% em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde, o assunto se torna ainda mais relevante. Segundo a Unicef, a falta de investimentos neste período, vai gerar gastos de 2 a 3 vezes maiores pelo governo nas áreas da saúde e educação.

Se marcas e empresas quiserem realmente transformar o mundo e obter um lucro admirado pela sociedade, de forma autêntica e consistente, precisam se envolver com estas políticas públicas. Investir na 1a infância é a atuação mais inteligente que uma empresa pode fazer para se perpetuar. Só não vale brincar de faz de conta.