Precisamos tirar o elefante da sala

Precisamos tirar o elefante da sala

Wal Flor

10 de maio de 2022 | 12h53

“O Elefante está na Sala” é uma expressão metafórica, usada para nomear realidades ou problemas que de tão evidentes, não podem ser ignorados. O termo veio de uma fábula chamada o “Homem Curioso”, datada de 1815, e conta a história de um homem que vai a um museu e nota tudo à sua volta, exceto um enorme elefante na sala.

Mudanças climáticas é o elefante que está na sala. “Não há nada mais importante para falarmos do que isso” disse Boaz Paldi, chefe criativo da ONU, durante o SXSW 2022. Paldi foi responsável pela campanha “Não escolha Extinção”, aquela em que um dinossauro chega na sala da ONU e faz um discurso para todos os integrantes sobre um assunto ao qual ele entende bastante: extinção.

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Ainda no SXSW, Neal Stephenson falou sobre tecnologias mais sustentáveis, especialmente as que capturam carbono em larga escala. Considerado o pai do Metaverso, surpreendeu a todos por tirar o elefante da sala e falar sobre mudanças climáticas, não sobre metaverso.

Em seu novo livro, Termination Shock, Stephenson conta a história de um bilionário texano, que tenta resolver o desafio das mudanças climáticas por meio de uma tecnologia inovadora que, se der certo, pode resolver o problema do aquecimento global. Entretanto, se a estratégia der errado, pode elevar os índices de aquecimento no planeta.

Por alguns anos, Stephenson foi o único funcionário da Blue Origin, criada por Jeff Bezos, e o escritor se mostrou preocupado com as soluções “BandAid” sobre o sequestro de carbono que andam aparecendo por aí. Ele disse que tem muito bilionário pensando seriamente em resolver este problema de engenharia, que nós humanos criamos.

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Letramento climático

Mudanças climáticas é um assunto complexo, por isso é necessário educar a população sobre o impacto do carbono no nosso cotidiano. O letramento climático, assim como o letramento racial, é essencial e urgente.

No campo educacional, um dos destaques do SXSW EDU, também foi o tema das mudanças climáticas. Os educadores e gestores do mundo todo estão sendo desafiados a preparar os estudantes, para resolver os problemas, que nós adultos, não estamos conseguindo.

O painel “Escolas Resilientes e Preparação dos Estudantes” mostrou um caso no Estado da Califórnia, onde especialistas apresentaram a metodologia dos 4 Cs (Campus, Currículo, Cultura e Comunidade), visando acelerar a alfabetização climática na região.

No aspecto Campus, por exemplo, a substituição dos pátios cimentados, por áreas mais verdes, garante a absorção da água pelo solo e evita enchentes. A técnica ainda reduz a temperatura ambiente em até 2 graus. O monitoramento diário é feito por estudantes durante as aulas de matemática e ciências, como parte do outro C, o do Currículo.

E por que tudo isso? Porque o mundo emite 51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente. E para atuarmos de forma assertiva precisamos entender suas origens. No livro ‘Como evitar um desastre climático’, Bill Clinton, revela que 31% das emissões vêm da construção civil e da forma como produzimos as coisas, com o uso de plástico, cimento, aço, entre outros materiais. Outros 27% das emissões vem da forma como produzimos energia; 19% vem da agricultura; 16% da forma como transportamos coisas e pessoas e, 7% das emissões, vem da nossa necessidade de nos mantermos aquecidos ou mais frios.

Você continua sem saber o quanto isso significa? O que podemos fazer para agir?

Foi exatamente para simplificar a nossa vida que a empresa Clever Carbon criou uma calculadora que avalia o quanto é emitido de carbono em cada etapa da produção de um produto.Eles calculam as emissões desde a origem, ou seja, o processo do plantio de uma maçã, até a chegada à nossa mesa, seja in natura ou como uma torta de maçã.

É assim que é calculado também todas as etapas de produção da calcinha Pantys. A marca possui etiquetas de carbono que informam ao cliente a quantidade de carbono de cada etapa de produção. Assim, além de escolher o modelo e a cor, é possível escolher as peças de acordo com as emissões que o modelo produz. Tudo calculado em CO2.

A ideia não é punir as pessoas e, sim, criar incentivos para uma economia de baixo carbono. Falei sobre isso na SXSW deste ano. O tema do meu painel era “ESG, você está pronto para pagar a conta?” levantou a discussão sobre o papel do governo em criar leis para acelerar novos incentivos e inovações tecnológicas em escala.

Resumindo, precisamos falar mais sobre as mudanças climáticas. Não de uma forma catastrófica ou amedrontadora. Isto afasta as pessoas e as deixam ainda mais ansiosas. Como sugere Nikolaj Waldau, ator da série Game of Thrones: “Precisamos usar o humor para atrair as pessoas para a causa… o humor é baseado na tragédia.”

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A verdade é que precisamos sonhar e re-imaginar um mundo melhor, com mais esperança. Precisamos fazer as pessoas se envolverem com a solução. Fazer parte. O fato de se envolver com o movimento, acalma a alma e engaja muito mais as pessoas.

Bora tirar o elefante da sala?

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