Qual é a opinião da sua marca?

Qual é a opinião da sua marca?

Wal Flor

07 de fevereiro de 2017 | 10h58

Com a sociedade cada vez mais conectada e informada, quase todos possuem informações sobre tudo.  O desafio é fazer uma seleção e curadoria de toda essa informação e formar repertório para opinar sobre algumas questões importantes que nos afetam hoje e vão nos afetar ainda mais no amanhã. Um bom exemplo disso são os dilemas éticos provocados pelas tecnologias exponenciais.  Imagine num futuro próximo: um carro autônomo detecta que não pode evitar um acidente. Como o programador deverá calcular sua decisão: protege as crianças que estão atravessando a rua ou quem está no carro? Quem você acha que deve ser salvo? E qual a opinião das marcas de automóveis? E das seguradoras, quais vidas elas protegem? Será que as marcas, que fazem parte do seu cotidiano, compartilham dos mesmos valores e opiniões que você?

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Créditos: divulgação

Ter uma opinião sobre as questões que desafiam nossa sociedade se tornou parte importante da construção e reputação das marcas. Falar o que pensam e agir de forma coerente as tornam mais reais e próximas das pessoas. Recentemente vimos várias delas se posicionarem sobre algumas decisões de Donald Trump. Se preocupar com a segurança do país é legítimo, mas o que dizer sobre a construção de um muro para segregar os Estados Unidos do México?

Bom, nem todos acham a ideia absurda.  Por outro lado, muitos sabem que isso não contribui em nada para melhorar as relações entre nós seres humanos. E mesmo tendo muitos seguidores e consumidores mais conservadores, marcas como  Airbnb, Corona, Starbucks, Uber, Google, Budweiser  e várias outras se posicionaram contra o decreto do atual presidente americano. As marcas que saíram na frente, acreditam na diversidade e estão preocupadas em ir além das vendas, mesmo que isso as faça perder alguns consumidores durante a jornada. São marcas mais corajosas, que tendem a ganhar fãs que compartilham a mesma posição. Conseguem com isso materializar seu propósito e provocam o status quo das campanhas publicitárias, as quais muitas ainda giram em torno da bolha de consumo, instigando polêmicas com fatos irrelevantes.

O comportamento da nossa sociedade está mudando e várias marcas já perceberam que precisam se posicionar se quiserem manter uma conversa ativa e consistente com seu público. Burger King, Ben&Jerry, Dove entre outras já estão neste caminho há alguns anos. Não é sempre que se acerta o tom, a execução, mas já é possível ver mais acertos do que erros. Discutir a temática com uma visão plural antes de se aventurar por uma decisão é prioritário, além de trazer riqueza ao processo e mais legitimidade para a marca.  Tratar o tema dentro da própria organização, praticando o clássico “de dentro para fora”  e “walk the talk” também são regras de ouro.

O fato é que a comunicação tem um potencial gigante para engajar milhares de pessoas de uma forma criativa e inovadora. E precisamos evoluir na seleção e profundidade das temáticas. Contribuir para a formação de uma sociedade que saiba lidar melhor com os desafios atuais e futuros é uma causa de todos nós.

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