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Vacina contra irracionalidade. O que aprendemos sobre corona vírus (COVID-19) até agora?

Wal Flor

09 de março de 2020 | 17h05

 

O coronavírus (COVID-19) segue mais uma semana provocando estragos na saúde, na economia e apavorando a população. Na última semana mais um importante evento global foi cancelado por conta do vírus. O SXSW, maior evento de inovação e criatividade do mundo, foi cancelado pela primeira vez em 34 anos, provocando um impacto de mais de 350 milhões de dólares para a cidade. A decepção por aqui também foi grande, pois os brasileiros representam a maior comunidade internacional do evento.

 

“O show tem que continuar” está no DNA do festival, só que desta vez não. E não, porque reunir muitas pessoas pode ser, de fato, uma maneira mais fácil de espalhar os vírus.

 

Entretanto, mesmo diante de tanta informação, poderio tecnológico e dados científicos, é impressionante como estamos ficando desinformados e ignorantes sobre determinados assuntos. Os terraplanistas e os que não acreditam nas mudanças climáticas, por exemplo, seguem colecionando adeptos e piadas. Mas isso não tem a menor graça.

 

Não que a ciência seja moralmente ou ideologicamente superior, mas porque ela é fundamentada com fatos, dados e estudos. Suas questões são provenientes da dúvida, não na certeza. E a certeza que temos agora é que a taxa de mortalidade do COVID-19 é baixa, menos de 4% e muito menor do que várias outras doenças respiratórias que historicamente possuem índices mais altos, como SARS.

 

Isto sem contar as teorias conspiratórias de que a China fez uma jogada de mestre e usou o vírus para derrubar o preço do alimento no mundo e controlar sua inflação. E ainda neste cenário oportunista, alguns do mercado financeiro estão usando a situação para ganhar dinheiro como nunca.

 

O maior predador do ser humano é o próprio ser humano. Adoramos ver violência e casos de pessoas morrendo por uma determinada doença, porque isso mexe com nosso instinto de sobrevivência. Tudo isso provocado por uma estrutura cerebral altamente implicada na manifestação de reações emocionais, chamada amígdala. A amígdala é fundamental para a nossa autopreservação, gerando medo, ansiedade e nos colocando em situação de alerta, aprontando-se para se evadir ou lutar.

 

O que explica, muitas vezes, porque notícias boas não atraem audiência e, consequentemente, não vendem. E aí vemos o exagero da mídia – mesmo que existam bons jornalistas na busca da verdade – e a força da viralização dos mensageiros da irracionalidade, potencializada pelas redes sociais.

 

Ok, claro que não podemos ser levianos com a situação, mas viver amedrontados não é o que queremos como sociedade, certo? Então, qual a saída? Qual o aprendizado que o COVID-19 nos ensinou até agora?

 

  1. Comportamento individual faz diferença: agora temos que tossir ou espirrar no antebraço e não nas mãos. Lavar as mãos com maior frequência é essencial para prevenção de doenças virais em geral. Vamos deixar as máscaras para os profissionais de saúde e para os que estão infectados. Os recursos devem ser direcionados para quem precisa, não para quem pode comprar.

 

  1. Agir pensando no coletivo: não sair por aí espalhando vírus no trabalho ou na rua se estamos gripados ou doentes. Não espalhar notícias pelas redes sociais, se não temos certeza dos fatos, uma vez que isso é muito prejudicial à saúde física e mental das pessoas. Procurar sempre fontes confiáveis. Médicos e Organização Mundial da Saúde são excelentes fontes de consulta.

 

  1. Vamos falar mais de saúde do que doença. Alimentação saudável, atividades físicas e relacionamentos pessoais positivos são elementos relevantes que precisam ganhar mais destaque na mídia. Imagine quantas mortes poderíamos salvar no mundo se falarmos mais sobre a prevenção da obesidade, das doenças mentais e das soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

 

Estes assuntos vão, de fato, exigir muito mais da nossa inteligência como ser humano nos próximos anos. E para discutir soluções inovadoras para grandes desafios globais, criamos o Brazil Inspires the Future, que completaria seu segundo ano de participação no SXSW em 2020. Hoje, apesar do cancelamento do festival, a plataforma está mais viva do que nunca e pronta para disseminar conhecimento que vai nos ajudar para os próximos desafios. Precisamos falar mais de saúde, de sustentabilidade social, econômica, ambiental. O cenário que o coronavírus (COVID-19) expôs mostra que, mais do que nunca, precisamos nos preparar para este real desafio. Vamos juntos?

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