Voluntariado Digital: A União entre Tecnologia e Solidariedade

Voluntariado Digital: A União entre Tecnologia e Solidariedade

Wal Flor

04 de dezembro de 2020 | 10h13

voluntariado digital

ONU

Ainda não existem dados oficiais que indicam se a pandemia de Covid-19 contribuiu para aumentar o número de voluntários no Brasil. Esperamos que sim, uma vez que o histórico dos últimos anos não foi muito positivo. Uma pesquisa divulgada em junho de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, pelo segundo ano consecutivo, houve queda no número de brasileiros que se dedicam a algum tipo de trabalho voluntário. Em 2019, cerca de 6,9 milhões de pessoas, ou 4% da população (de 14 anos ou mais), realizaram algum tipo de ação voluntária. Segundo o IBGE, a taxa caiu 0,33% em todas as grandes regiões do país quando comparada com 2018.

Vale ressaltar que o trabalho voluntário não é somente sinônimo de boa vontade, generosidade ou altruísmo. Segundo estudos, ele tem se destacado para elevar a autoestima, adquirir experiências, desenvolver competências e ampliar o networking. Sendo assim, é uma excelente oportunidade para o desenvolvimento pessoal.

As organizações buscam cada vez mais alinhar o tema com os objetivos do negócio e as ações voluntárias potencializam o desenvolvimento de competências socioemocionais dos colaboradores. A iniciativa também contribui para a reputação das empresas, promovendo o engajamento com outros stakeholders estratégicos, tais como comunidade, ONGs, governo e imprensa. Empresas privadas cumprem ainda um importante papel educacional, facilitando e ampliando os caminhos para aqueles cidadãos que querem fazer o bem e não sabem muito bem por onde começar.

O otimismo para o aumento de voluntários brasileiros em 2020, deve-se ao aumento da solidariedade em tempos de pandemia e também pela disseminação da tecnologia. Assim como em outros setores, a transformação digital também mudou a forma de como podemos contribuir. Conhecido como voluntariado digital ou voluntariado online, o modelo nasceu anos antes da pandemia e deve ser tendência nos próximos anos. A iniciativa encurta distâncias, potencializa o alcance de ações e pode impactar positivamente milhares de pessoas de uma forma massiva, segura em qualquer lugar do mundo e sem sair de casa.

game do bem

Game do Bem: projeto que permite engajamento de colaboradores em causas diversas

Em 2016, nós da agência Lynx, idealizamos junto com Fundação Telefônica o Game do Bem, uma plataforma gamificada e colaborativa, que viabiliza a prática do voluntariado digital. Ambientado em uma cidade virtual, disponibiliza “missões do bem”, que permitem aos colaboradores da Vivo o engajamento em causas diversas e que potencializam sua participação social. A cada missão cumprida, além de ganhar pontos para o ranking geral, os participantes podem ver os resultados de suas ações traduzidas em impactos reais para a sociedade.

O Game do Bem possui atividades baseadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas (ONU) e foi reconhecido internacionalmente ao vencer o Prêmio Global de Voluntariado Corporativo 2018, na categoria “Melhor Prática Inspiradora”, entre mais de 100 indicações. A premiação é voltada para empresas que se destacam na abordagem global do voluntariado corporativo e que apostam na iniciativa como ferramenta de transformação social. Em 2020, quase 5 mil colaboradores, ou 14% da força de trabalho, participaram das ações, ou seja, o dobro de participação quando comparada aos dados do IBGE.

O voluntariado online não é exatamente uma novidade. Várias plataformas conectam digitalmente voluntários e beneficiários de forma prática e até mesmo por geolocalização. Existem iniciativas globais como a Online Volunteering da ONU, a São Paulo Mais Humana do Governo de Estado de São Paulo e a plataforma Atados, de empreendedores sociais. Todas incentivam o cidadão comum a contribuir de forma remota de diversas possibilidades. Isso inclui: vaquinha digital (crowdfunding), mentorias online para indivíduos e organizações, digitalização e tradução de livros, atendimento digital para pessoas vulneráveis e conversas com idosos em asilos.

A sensação de bem-estar, o sentir-se útil e a gratificação pessoal são os três principais fatores que fazem o ser humano se mobilizar numa ação voluntária. Muitas vezes iniciamos um trabalho voluntário com a expectativa de doar tempo ou conhecimento, mas na verdade recebemos em troca tanto ou mais do que estamos doando. Uma verdadeira troca de energia, uma corrente do bem, potencializada pela tecnologia.

Bora fazer o bem de forma exponencial?

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