Desaceleração

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Desaceleração

Celso Ming

23 de maio de 2013 | 20h00

Dois indicadores divulgados nesta quinta-feira sinalizam desaceleração do setor da construção civil, principalmente em São Paulo. O primeiro deles veio com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE. O outro, com a Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O balanço da taxa de desocupação no País, tomado como um todo, não mostra nenhuma alteração relevante. O desemprego aumentou de 5,7% da força de trabalho, em março, para 5,8%, em abril. Pontinho acima ou pontinho abaixo é variação normal em qualquer curva desse tipo. A economia vive momento sem precedentes de pleno emprego ou algo perto disso.

 

 

A indicação preocupante se concentra na indústria da construção civil, que registrou redução do emprego de 3,2% no primeiro quadrimestre de 2013 em relação a igual período do ano passado. O coordenador da área de Trabalho e Rendimento do IBGE, economista Cimar Azeredo, assinala que se trata de “uma queda surpreendente na população ocupada na construção civil”, especialmente quando comparada com a alta de 2,5% observada no primeiro quadrimestre de 2012.

Quando o foco se dirige para a região metropolitana de São Paulo, observa Azeredo, o declínio é ainda mais surpreendente. A ampliação do emprego de 8,7% no primeiro quadrimestre do ano passado agora se transformou em contração de 1,4%.

Os números da CNI têm outro critério de mensuração, mas apontam para a mesma direção. Em abril, a atividade do setor da construção civil ficou nos 45,5 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos que indica desempenho “normal”.

Outros termômetros já vinham acusando retração de atividade no segmento: queda de preços, desova de estoques e redução de lançamentos de edifícios. A Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) já tinha mostrado que, no primeiro trimestre deste ano, o valor do metro quadrado dos imóveis com um ou dois dormitórios (de maior procura) havia caído 7,8% em relação a dezembro de 2012.

Como a indústria da construção civil é grande empregadora de mão de obra, um recuo dessa grandeza acende uma fileira de luzes amarelas, sobretudo quando se leva em conta que o governo Dilma pôs muita energia no programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Fator relevante que deve ter contribuído para isso foi a disparada de preços dos imóveis nos três últimos anos, especialmente em São Paulo, numa conjuntura em que o poder aquisitivo do comprador ficou para trás a partir de 2012, pelo aumento da inflação que corroeu a renda e pela desaceleração da atividade econômica.

Pode-se contra-argumentar que o crédito para aquisição de imóveis continua farto e relativamente mais barato. No entanto, a evolução dos financiamentos esbarra em um problema técnico importante: insuficiência de renda familiar do candidato a mutuário em relação aos preços ainda praticados no mercado e em relação aos custos crescentes da construção.

CONFIRA:

Aí tem. A antecipação de novembro para outubro do primeiro leilão de exploração e produção no pré-sal parece, ao menos em parte, relacionada com a declaração do ministro Guido Mantega, na quarta-feira, de que o governo pretende arrecadar neste ano R$ 25 bilhões extras.

O maior de todos. Está certo que esse leilão prevê mudança do regime de concessão para o de partilha, em que o consórcio vencedor será apenas prestador de serviço. Ainda assim, trata-se do Campo de Libra, maior reservatório de petróleo conhecido no Brasil, do qual se espera uma produção de cerca de 12 bilhões de barris, o dobro da capacidade do antigo Campo de Tupi, rebatizado Campo de Lula. A Petrobrás terá pelo menos 30% de participação e será a única operadora. Vai dar conta?

Relembrando. O leilão realizado há uma semana, de campos menos importantes e ainda no regime de concessão, arrecadou em bônus de assinatura o valor recorde de R$ 2,8 bilhões.

Tendências: