Decepcionante

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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Decepcionante

Celso Ming

29 de maio de 2013 | 21h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou nesta quarta-feira sua cara de paisagem, criada em 2011 para enfrentar reivindicações da Bolsa. Foi com ela que tentou esconder sua frustração com os resultados do primeiro trimestre. Como fez outras vezes, Mantega olhou para os números das Contas Nacionais divulgadas pelo IBGE e tentou convencer o resto do País de que as coisas refletem mais o copo cheio do que o vazio:

“Estamos crescendo este ano mais do que no ano passado”, disse ele na entrevista que deu logo depois de conhecidos os dados do PIB. No primeiro trimestre de 2012, o Brasil cresceu apenas 0,1%; no primeiro trimestre deste ano, cresceu 0,6%. Como ao longo de todo o ano de 2013, o PIB vai crescer bem mais do que o medíocre 0,9% registrado em 2012, o ministro não deixa de ter uma dose de razão. Mas, convenhamos, para quem apostava num avanço do PIB de 4,0% a 4,5% neste ano, os resultados do primeiro trimestre são de amargar.

A nota positiva é a melhora do investimento que, nas Contas Nacionais, leva nome e sobrenome mais comprido: Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Acusou avanço de 4,6% no primeiro trimestre sobre o anterior e de 3,0% quando medido sobre o primeiro trimestre de 2012. O ministro garantiu que tem a ver com certa mudança de ênfase da política econômica, do consumo para o investimento. Ainda assim, reflete mais o grande crescimento da frota de caminhões e da construção civil do que inversões de capital em aumento da capacidade de produção. Além disso, o investimento continua baixo, de apenas 18,4% do PIB. Para garantir crescimento sustentável, da ordem de 3,5% a 4,0% ao ano, tem de ser superior a 24% do PIB, mas estamos longe disso.

Excelente surpresa é o desempenho da agropecuária: crescimento de 9,7% de um trimestre para outro e de 17,0%, em comparação com o primeiro trimestre de 2012. O problema é que o setor não pesa mais do que 5% no PIB e nas contas finais não chega a fazer diferença.

A indústria é que continua na pior. Em vez de avançar, recuou: queda de 0,3% em relação ao quarto trimestre e de 1,4% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A recuperação sustentável do setor precisa de muito mais do que desonerações pontuais e refrescos caseiros fornecidos pelo governo.

O principal imprevisto foi o baque no consumo, até recentemente o carro-chefe da política econômica. Cresceu apenas 0,1% no trimestre e 3,0% em um ano. Nesse campo, o fator negativo é o que nesta quarta-feira veio no diagnóstico da gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. O consumo, advertiu, perdeu fôlego porque a inflação vai deixando menos salário para as compras do mês. Quer dizer, o governo tem de levar mais a sério o combate à inflação se não quer ver mais corrosão.

Não é só isso, aí vai o lado bom da moeda mais fraca: se é verdade que o governo mudou a ênfase e passou a cuidar mais do investimento do que antes, o mau desempenho do PIB pode prenunciar mudanças na condução da política econômica. Mas esse é assunto a ser analisado nesta Coluna na edição desta quinta-feira.

CONFIRA:

O gráfico mostra como se comportam, desde 2000, a poupança e o investimento do Brasil.

Mais “tempestivo”. Desta vez, foi por unanimidade. Até os dois maiores pombos do Copom, que na reunião passada votaram contra aumento dos juros de até mesmo 0,25 ponto porcentual, decidiram-se nesta quarta-feira pelo aumento da dose dos juros em 0,50 ponto porcentual, para 8,0% ao ano. É a percepção de que a inflação foi longe demais e exigiu corretivo. Fica a pergunta: por que demorou tanto?

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