A indústria emagrece

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A indústria emagrece

Celso Ming

07 de março de 2014 | 21h00

Ano a ano, a indústria brasileira vai perdendo participação na economia. À parte a repetida reclamação de que a falta de ação do governo produz desindustrialização, o empresário, em geral, não sabe o que quer e, quando quer, muitas vezes quer a coisa errada. Tende a dar mais valor a picolés e cala-bocas oficiais do que a políticas estruturantes de longo prazo.

São raros os que partem do diagnóstico correto, como começa a fazer o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi). O ponto de vista recorrente é que a indústria está nessa paradeira porque o câmbio e os juros estão “fora de lugar”. Em vez de entender qual a função do câmbio e dos juros no arranjo macroeconômico e de pedir consequência, o empresário clama por desvalorização cambial (alta do dólar) e juros baixos para lhe dar competitividade artificial, sem considerar a arrumação da casa.

O pressuposto dessas reivindicações é o de que qualquer governo põe o câmbio e os juros onde quer e o interesse máximo da política econômica não é dar condições sustentáveis ao crescimento econômico e ao emprego, mas fornecer andadores apenas para a indústria, eterna adolescente.

O modelo recorrente é a China, cujo governo definiu, sim, o que quer e põe o câmbio e os juros onde têm de estar para garantir o efeito pretendido. Mas o Brasil não é a China, não tem uma poupança equivalente a 51% do PIB e, por isso, não pode empilhar reservas à vontade nem operar permanentemente com uma moeda desvalorizada. Bastou, por exemplo, que, a partir de maio de 2013, o governo brasileiro passasse a manobrar para puxar as cotações do dólar para que, logo em seguida, o Banco Central tivesse de trabalhar para evitar que a disparada do câmbio provocasse uma inflação insuportável. Além disso, não está claro que uma forte desvalorização do dólar seja do interesse de uma indústria que pretende se inserir no sistema global de produção e distribuição e que, portanto, depende de suprimento externo de equipamentos, matérias-primas e de certo endividamento em moeda estrangeira.

Com os juros ocorreu quase o mesmo. Por um momento, as lideranças da indústria imaginaram que a política monetária não tem importância no processo de controle dos preços. Assim, os juros poderiam ser baixados até os níveis internacionais sem que produzissem inflação significativa no Brasil. A experiência foi feita, o Banco Central derrubou os juros a 2% reais e, a partir de abril de 2013, foi obrigado a puxá-los para os níveis anteriores porque a inflação disparou.

Durante anos, os chefões da indústria também repeliram propostas de abertura comercial, sob o argumento de que tiravam mercado em vez de proporcionar novos acessos a consumidores. O resultado é que, junto com o Brasil, a indústria brasileira ficou do lado errado. Tem agora como clientes preferenciais argentinos e venezuelanos que não podem pagar por encomendas. A indústria automobilística em parte modernizou suas carroças, mas não consegue competir nem mesmo com uma tarifa alfandegária de 35% mais proteção extra proporcionada por sobrecarga de IPI cobrados sobre as vendas de veículos importados.

CONFIRA:

Acima, a evolução do desemprego nos Estados Unidos.

Melhorou. Embora os números do desemprego nos Estados Unidos tenham apresentado ligeiro aumento, o comportamento geral do mercado de trabalho indica melhora do consumo.

Não é com ele. O secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento Econômico, Daniel Godinho, diz que desconhece as razões do forte aumento de petróleo em fevereiro. Se ele não sabe, algo está errado.

 

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