A inflação perde força

A inflação perde força

Celso Ming

19 de julho de 2013 | 20h00

A inflação deu sinais fortes de desaceleração. A evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo do dia 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira, mostrou perda de força nos preços, fator que pode dar algum alento à combalida atividade econômica.

(Esse IPCA-15 é o mesmo IPCA, com a diferença de que a evolução dos preços em 30 dias não é fechada no final, mas no meio do mês: vai do dia 15 anterior ao dia 15 do mês de referência, aproximadamente.)

 

 

Ainda se nota algum efeito artificial, digamos assim. Um dos itens que mais contribuíram para a redução da inflação foi a retirada dos reajustes nas tarifas dos transportes coletivos nas grandes cidades, atraso que ainda deve provocar certa distorção. Em todo o caso, o recuo no mês foi bastante expressivo, de 0,55%.

A desaceleração também foi puxada pela redução dos preços dos alimentos (-0,18%, no mês, e +11,6% em 12 meses), em consequência da queda das cotações das commodities.

Em contraposição, permanece substancial o avanço dos preços no setor de serviços, de 0,69% em junho e de 8,6% em 12 meses. Já nas despesas com habitação, a alta foi de 0,60% em junho, embora em 12 meses tenha sido bem mais baixa (3,1%). A inflação também se mantém espalhada demais, na medida em que o índice de difusão (número de itens da cesta de consumo em alta) continua elevado (55,5%).

Como o Banco Central deixou claro na Ata do Copom divulgada quinta-feira, as atenções agora se voltam para o efeito sobre a inflação que começa a ser provocado pelo repasse do avanço das cotações do dólar no câmbio interno, de cerca de 10% em dois meses.

Esse não é o único fator que pressiona em direção ao aumento dos preços. Como também foi enfatizado pela Ata, a inflação está sendo alimentada pela política fiscal (receitas e despesas do governo) insuficientemente austera, que vem exigindo demais da política de juros, e pelo ainda forte aquecimento do mercado de trabalho.

É cedo para afirmar que a desaceleração levará o Banco Central a reduzir a dose da alta dos juros básicos (Selic). Não dá para dizer que o aperto de 1,25 ponto porcentual desde abril para o atual nível de 8,5% ao ano já esteja contribuindo para o arrefecimento da inflação, porque a política de juros leva de seis a nove meses para produzir efeito. Além disso, é preciso ver o que acontecerá nos próximos meses. O mercado, cujas projeções são aferidas pela Pesquisa Focus, do Banco Central, aponta para uma inflação anual próxima de 5,8% em 2013, nível ainda elevado demais quando confrontado com a meta de 4,5%.

Além disso, a principal tarefa do Banco Central, no momento, é voltar a conduzir as expectativas, prerrogativa prejudicada pela política monetária voluntarista que perdurou de agosto de 2011 a março deste ano. Nesse sentido, o Banco Central não pode correr o risco de aliviar prematuramente sua política, especialmente se o governo também desistir de cumprir sua meta de superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida), de 2,3% do PIB.

CONFIRA:

No gráfico, a evolução do IPCA-15 em 12 meses.

Resposta inglesa. O governo do Reino Unido está propondo forte redução do imposto sobre a produção de gás de xisto, de 30%, em vez do máximo de 62%. A proposta tem por objetivo criar condições para a revitalização da indústria no país. A iniciativa pretende neutralizar efeitos prejudiciais provocados pela atual revolução do gás de xisto nos Estados Unidos, cujos custos são uma fração do produto negociado na Europa. Se confirmada, a decisão deverá pressionar os demais países da União Europeia a fazerem o mesmo.

Tudo o que sabemos sobre:

inflação