Alívio temporário

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Alívio temporário

Celso Ming

17 de outubro de 2013 | 20h00

A vaca foi retirada da beira do abismo, mas continua por lá. E o abismo também.

O acordo político entre democratas e republicanos em relação ao aumento do teto da dívida dos Estados Unidos foi saudado mundo afora, mas foi apenas um suspiro de alívio. Uma solução relativamente duradoura foi adiada para fevereiro.

Durante meses, os mercados mantiveram a respiração suspensa porque a ameaça real foi a de que a maior economia do mundo decretasse calote no pagamento dos juros do mais importante título de dívida do mundo.

Agora, o governo americano pode reabrir as repartições que haviam sido fechadas, pouco menos de meio milhão de funcionários públicos podem voltar a suas funções e o Tesouro americano está outra vez autorizado a emitir normalmente seus cheques, porque o teto da dívida dos Estados Unidos que não tinha permissão do Congresso para avançar para além dos US$ 16,7 trilhões agora tem – mas só por mais quatro meses (veja o gráfico).

As perguntas remanescentes são de simplicidade infantil: se, enfim, um acordo foi inevitável, por que não saiu antes? E por que não foi definitivo?

O Partido Republicano, sobretudo sua ala mais conservadora (Tea Party), julgou que poderia colocar em risco os interesses dos Estados Unidos para garantir seus pontos de vista. Saiu derrotado, mas nada indica que tenha desistido desse tipo de pressão. Mas as consequências estão aí: “Nada prejudicou mais a credibilidade dos Estados Unidos perante o mundo do que o espetáculo das últimas semanas”, lamentou nesta quinta-feira o presidente Barack Obama.

Os prejuízos econômicos são de difícil avaliação, mas existem e continuarão existindo. Uma das principais razões pelas quais o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adiou a reversão de sua política de grande emissão de dólares foi esse impasse orçamentário. Não entra aqui a análise do mérito da decisão do Fed, mas apenas o fato de ter sido adiada especialmente por essa razão. No entanto, se pelo menos até fevereiro não houver solução definitiva, aparentemente o Fed terá de continuar adiando o que precisa fazer.

O resto da economia americana (e mundial) também paga pelas consequências. Diante das incertezas, as empresas também se veem na necessidade de empurrar para a frente seus investimentos e decisões estratégicas. Não podem correr riscos de calote do título do Tesouro americano, o T-Bond. Nessa paisagem, os 11 milhões de desempregados de lá também têm de esperar.

À parte os impasses eleitorais e eventuais acordos, o problema de fundo ainda não foi equacionado. E o problema de fundo é o rombo orçamentário, de US$ 760 bilhões por ano. A dívida pública dos Estados Unidos não pode crescer indefinidamente. O T-Bond continua sendo o título de maior aceitação, mas parte do mercado para ele já se estreita, porque os países emergentes já não estão amontoando reservas como antes.

Além disso, com essas ameaças de calote, as primeiras suspeitas sobre sua qualidade começam a se espalhar, do que já deram conta as agências de classificação de risco.

 CONFIRA:

Vai da valsa. A Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira nem deu a entender que a força da inflação vá exigir uma dose mais alta dos juros básicos (Selic), hoje de meio por cento ao ano por vez; nem que possa ser mais baixa, de 0,25 ponto porcentual. Essa avaliação sugere que o processo de ajuste vai continuar no ritmo atual e que a próxima reunião do Copom, agendada para o dia 26 de novembro, a última de 2013, crave mais meio ponto porcentual. A ver.

Tabu pode cair. Se isso estiver correto, a Selic, hoje em 9,5% ao ano, irá para 10,0%. Nesse caso, estará sendo quebrado um dos tabus do governo Dilma, que é o de impedir que atinja os dois dígitos (a partir de 10% ao ano).

Efeito câmbio. A principal alteração nessa ata quase sem novidades é o recuo das cotações do dólar em reais, fato que amortece a transferência do efeito câmbio sobre a inflação. Em compensação, a resistência da inflação em níveis elevados continua forte.

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