Bancos não são o problema mais grave da Europa

Celso Ming

23 de julho de 2010 | 13h27

Hoje é o dia da divulgação dos testes de estresse realizados em 91 entre os mais importantes bancos europeus.

 Teste de estresse, você sabe, é uma simulação feita por computador que avalia até que ponto a situação financeira de um banco é sólida o suficiente para enfrentar possíveis calotes dos clientes.

E agora pela manhã foram reforçadas as dúvidas de que esses testes não foram realizados com o devido rigor. Um dos pressupostos contidos nos programas que foram rodados é o de que não haverá calote de dívida de países soberanos. Portanto, os bancos excessivamente carregados com dívidas da Grécia, de Portugal e da Espanha vão passar com folga nessa avaliação.

E isso não deixa de ser estranho porque a crise de confiança que se pretende afastar é justamente a de que um grande número de bancos esteja a perigo porque se encontram expostos demais a dívidas sobre as quais recaem sérias suspeitas de que não serão honradas. É aposta corrente, por exemplo, que a Grécia não vai aguentar o tranco e que terá de renegociar os termos de sua dívida. Se isso acontecer e quando isso acontecer, algum calote será imposto aos credores, como se viu com os credores da Argentina há sete anos.

Se, apesar disso, o mercado está ou não disposto a engolir os resultados das provas, a gente vai saber nas próximas semanas. Em todo o caso, ainda que exista, o problema dos bancos não é mesmo o mais grave. O problema mais grave é a situação precária de um grande número de países da Europa. E para isso ainda não existe nem teste de estresse.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.