Boas notícias das contas externas

O excelente comportamento das contas externas é resultado claro da queda do consumo, que derrubou as importações e deixou sobras para exportar

Celso Ming

01 de abril de 2016 | 17h20

A crise é o que é, mas esse tudo de ruim não consegue estragar os excelentes resultados das contas externas.

Saíram, nesta sexta-feira, 01, os resultados da balança comercial (exportações menos importações) do mês de março. E o que se viu foi um saldo positivo de US$ 4,4 bilhões, mais ou menos dentro do esperado.

No primeiro trimestre, o saldo é positivo em US$ 8,4 bilhões. No ano passado, o acumulado no trimestre foi fortemente negativo, déficit de US$ 5,5 bilhões.

O mais importante a avaliar agora é que a perspectiva é de que todas contas externas fiquem positivas. As transações correntes, que englobam o fluxo com o exterior de receitas e despesas com mercadorias, serviços e transferências (só deixam de fora o fluxo de capitais) que fecharam 2015 no vermelho (déficit de US$ 58,9 bilhões, ou 3,3% do PIB) devem cair a zero nos próximos 12 meses.

Como o afluxo do investimento estrangeiro continua firme (espera-se um total de US$ 55 bilhões no ano), a expectativa é de que, apesar da crise, apareça alguma folga no câmbio. O excelente comportamento das contas externas é resultado claro da queda do consumo, que derrubou as importações e deixou sobras para exportar. É também o que explica por que o dólar está em baixa no câmbio interno, apesar da grave crise política.

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