Capitalização da Petrobrás começa a conturbar o câmbio

Celso Ming

28 de julho de 2010 | 14h22

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, adiantou que dá todo o apoio ao Banco Central, que manifestou intenção de vender contratos de swap de câmbio reverso.

Não se assuste com esse termo que parece complicado, mas não é ou, pelo menos, não é tanto quanto parece. Essa é uma operação que vende moeda estrangeira para entrega futura, que dá ao comprador do título o direito de receber juros em vez da diferença de câmbio.

Mas qual é o problema? É que o Banco Central já comprou mais de US$ 14 bilhões no mercado interno acima do que entrou neste ano em moeda estrangeira em termos líquidos. Na ponta vendedora estão bancos que estão apostando firme na queda da cotação do dólar no câmbio interno. Por isso, as cotações do dólar vão caindo no mercado, apesar das compras do Banco Central.

E qual é a dos bancos? Eles estão apostando na queda das cotações do dólar provavelmente porque contam com a entrada de mais de US$ 20 bilhões em setembro para o aumento de capital da Petrobrás.

O Banco Central está pisando em ovos com essas operações em sentido contrário porque também não quer, de repente, puxar o tapete dos bancos, como aconteceu em 2008 com a Sadia e a Votorantim, que também haviam apostado na queda do dólar no câmbio interno e quase quebraram quando veio a crise e puxou as cotações do dólar.

Mas a queda nas cotações prossegue hoje e o Banco Central provavelmente não vai ficar apenas nas ameaças de que pode colocar em marcha a venda de contratos futuros do câmbio. Em todo o caso, vai ficando claro que o processo de capitalização da Petrobrás, que envolve muito dinheiro, começa a conturbar o mercado interno de câmbio.

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