Catatonia

Catatonia

O governo Dilma deixou que a política do petróleo fosse empurrada para o precipício que aí está

Celso Ming

15 Dezembro 2014 | 21h40

O governo Dilma produziu uma política econômica desastrosa, quase destruiu a indústria nacional e continua incapaz de resgatá-la, colocou em marcha uma política trágica de energia elétrica que vai produzindo uma distorção atrás da outra e deixou que a política do petróleo fosse empurrada para o precipício que aí está. Agora assiste passivamente ao derretimento da Petrobrás, meses após martelar durante a campanha eleitoral que se tratava do maior orgulho nacional.

As autoridades do governo Dilma ainda dirão, como disseram após cada anúncio dos PIBs mirrados que entregaram em todos esses anos e diante dos sucessivos estouros das metas fiscais e da inflação, que a culpa de tudo é da crise internacional.

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A Arábia Saudita não fez nada. Apenas decidiu não reduzir sua fatia na oferta de petróleo que lhe cabe há anos. A autossuficiência de óleo e gás dos Estados Unidos, graças ao aproveitamento da nova tecnologia do xisto, já estava há meses à vista de todos, enquanto seus efeitos eram ignorados pelo governo Dilma, que os achava irrelevantes ou apenas uma aposta de qualidade discutível.

Bem antes disso, a Petrobrás já vinha sendo dilapidada tanto por seus administradores, que permitiram saques monumentais ao seu patrimônio tais como conhecidos agora, quanto pela própria política predatória de combustíveis que vem sangrando seu caixa há 12 anos.

Nesta segunda-feira, as cotações do antigo orgulho nacional caíram para menos de um terço do seu valor patrimonial e ao longo do pregão da Bolsa foram objeto de dois leilões, porque a pressão vendedora se tornou avassaladora.

A Petrobrás está sobrecarregada por um programa sufocante de investimentos que alcançam os US$ 220 bilhões em apenas três anos. Enfrenta um passivo quatro vezes maior do que sua capacidade de geração de caixa. É convocada a enfrentar dívidas trabalhistas de seus fornecedores. E tem uma direção que não viu ou não quis ver o desmanche de seus ativos. A Petrobrás agora é vítima da catatonia do governo, que não consegue ou não quer deter o desastre, aparentemente porque imagina que, assim agindo, poderá livrar-se das agora inexoráveis cobranças judiciais e políticas pelas lambanças aí produzidas.

Nesta segunda, os preços do petróleo tipo Brent, negociados em Londres, fecharam em US$ 61,06 por barril e os do WTI, praticados em Nova York, ficaram em US$ 55,91. É um mergulho já próximo dos 50% em apenas alguns meses, que ninguém sabe até onde vai e quanto tempo vai durar. Mas já sobram dúvidas sobre a consistência econômica e financeira de alguns dos projetos de exploração e produção no Brasil.

Tanto a qualidade da política do petróleo do País como a da administração da Petrobrás mostraram uma fragilidade assustadora. Estão sendo incapazes de enfrentar um vagalhão que não chega nem sequer a ser dos mais terríveis nem estava tão fora dos radares dos especialistas.

O que vai agora fazer a presidente Dilma? Convocará outra vez o ex-presidente Lula para que invente outra de suas mágicas políticas capaz de transmitir a paralisia do governo também sobre a economia e sobre a sociedade?

CONFIRA:

IBCBROut

Aí está a evolução dos últimos sete meses (até outubro) do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que pretende antecipar a evolução do PIB.

Mediocridade
A queda do IBC-Br em outubro em relação a setembro foi de 0,26%. É o pior mês de outubro desde 2011. Esta é mais uma indicação de que, se o avanço do PIB do ano for positivo, será insignificante. O Relatório Focus, por meio do qual o Banco Central afere as projeções de cerca de 100 instituições, apontava nesta segunda-feira para um avanço do PIB de apenas 0,16% em 2014.