Crise da UE chega a Portugal

Celso Ming

24 de março de 2010 | 13h35

A crise da Grécia está longe de encontrar uma solução e já começa a pintar o segundo grande problema da União Europeia, que é Portugal.

Ontem, uma das três mais importantes agências de classificação de risco, a Fitch, rebaixou a posição dos títulos da dívida de Portugal e colocou a perspectiva dos próximos movimentos como negativa. Isso significa que, na percepção dos técnicos, o risco de calote dos títulos de Portugal aumentou e o país terá de pagar juros mais altos do que pagava até ontem se quiser renovar sua dívida ou lançar mais títulos no mercado.

O problema aí é o excesso de despesas. O rombo orçamentário na Europa aumentou com a crise, porque foi preciso salvar os bancos e injetar dinheiro na economia para atender os desempregados. Com o excesso de despesas, as contas não fecham, os tesouros estão sendo obrigados a pegar mais crédito e, assim, a dívida vai ficando insustentável.

O problema é que, depois de pelo menos cinco semanas de discussão, a Europa não tem solução para o problema. Aparentemente, não vai sobrar saída senão recorrer ao Fundo Monetário Internacional. Ou seja, os Estados Unidos, que controlam o Fundo, vão meter o bedelho nas contas públicas da União Europeia – justamente o que o governo alemão queria evitar.

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