Depois que piorar, melhora

Depois que piorar, melhora

Daqui para a frente a recessão só tende a se aprofundar e as más notícias prevalecerão na economia; Mas está nas mãos do governo uma reversão relativamente rápida das expectativas

Celso Ming

11 Maio 2015 | 21h00

Daqui para a frente a recessão só tende a se aprofundar e as más notícias prevalecerão na economia. Mas está nas mãos do governo uma reversão relativamente rápida das expectativas.

Ainda nesta segunda-feira, o Banco Central divulgou a pesquisa Focus, que todas as semanas mostra as principais projeções do mercado. E lá ficou registrado que, na mediana, o mercado espera uma queda da atividade econômica (PIB), em 2015, de 1,2%.

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Na semana passada, o IBGE divulgou os números da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios – Continua (Pnad Contínua) na qual foi registrado um desemprego que já alcançou 7,9% no primeiro trimestre deste ano. A julgar pelo noticiário diário, tende a se aprofundar.

O comércio também se queixou de vendas fracas neste Dia das Mães. A procura de bens de consumo duráveis, especialmente veículos e aparelhos domésticos, está em forte retração. A Caixa avisa que suspendeu os financiamentos habitacionais porque os saques das cadernetas de poupança aumentaram. Foram de R$ 23,2 bilhões no primeiro trimestre, 3,6% do total. E são principalmente as aplicações das cadernetas que fornecem recursos para o financiamento da casa própria.

No entanto, apesar dos sinais de agravamento do quadro de curto prazo, o processo de saneamento da economia está avançando. A maioria das correções dos preços administrados já foi feita. Os programas de ajuste estão passando no Congresso. O rombo da balança comercial (exportações e importações) começou a se reverter. A Petrobrás já divulgou o balanço auditado de 2014 e deverá divulgar até sexta-feira os resultados, também auditados, do primeiro trimestre de 2015.

Muito provavelmente, os números do PIB do primeiro trimestre, a serem divulgados dia 29 deste mês, virão muito ruins e, pior, apontarão forte queda dos investimentos. No entanto, já há sinais de que também nessa área o governo começa a se mexer. Novos leilões de concessão estão para ser anunciados. E são fortes, dentro do governo, as pressões para que mudem certas regras do pré-sal, especialmente as exigências de que a Petrobrás seja a única operadora de todas as áreas, com um mínimo de 30% de participação nos investimentos.

Até mesmo na política de Comércio Exterior se veem novidades. O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, acaba de recomendar revisão drástica da política externa brasileira. Para ele, o Mercosul “é um corpo sem espírito”, ou seja, está morto. Defende “a suspensão temporária da Tarifa Externa Comum (TEC)”, para que o País possa negociar em separado acordos bilaterais de comércio, especialmente com os Estados Unidos, “a grande prioridade da política externa”.

Embora na área dos negócios e dos resultados macroeconômicos as coisas pareçam piorar, há movimentos claros em direção de mudanças para melhor. Se corrigir as principais distorções nas políticas do petróleo e no cronograma de concessões, nova fase de investimentos estará sendo colocada em marcha. E bastará forte sinal nessa área para que toda a percepção hoje negativa comece a se inverter. Tudo depende da vontade política do governo Dilma.

CONFIRA:

Mudar o Mercosul
O embaixador Regis Arslanian, hoje consultor, foi durante 15 anos chefe negociador pelo Brasil do Mercosul e coordenou as negociações da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) e da União Europeia. Foi também embaixador no Mercosul.

Sem interesse
Em mensagem a esta Coluna, Arslanian adverte: “Não podemos esquecer de que nosso modelo negociador – o de simples acesso a mercado – já não é atraente para nenhum parceiro comercial relevante. Continuamos atrelados à liberalização tarifária. Os acordos modernos são muito mais amplos e ambiciosos porque envolvem concessões em normas e padrões regulatórios”.

Outras concessões
O embaixador prossegue: “Em um acordo do Mercosul, cada sócio poderia fazer concessões diferenciadas em normas. A união aduaneira não impede isso. O que nos falta é criatividade e, sobretudo, firmeza na defesa de nossos interesses no
Bloco.”

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