Desacelerou

Celso Ming

17 de novembro de 2011 | 19h45

O governo e o Banco Central têm feito seguidas advertências de que vem aí uma fase de grande prostração na economia mundial, cujos efeitos chegariam, inevitavelmente, ao bolso de cada brasileiro.

Essas previsões de fortes borrascas repetidamente anunciadas vêm ajudando a justificar e a estimular a queda dos juros. Mas também produzem o efeito colateral de levar o empresário brasileiro a pisar no freio e a ser mais cauteloso na condução dos seus negócios, embora os indicadores de consumo digam o contrário.

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta quinta-feira aponta para um recuo de 0,32% no terceiro trimestre deste ano em relação ao período imediatamente anterior – a primeira queda desde os primeiros três meses de 2009, quando o Banco Central passou a fazer esse levantamento. Em setembro, a evolução desse item praticamente estagnou em relação a agosto: não cresceu mais do que 0,02% e pode ser um forte indício de desaceleração da atividade econômica.

O IBC-Br é anunciado mensalmente. Nasceu com o objetivo de antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), calculado (Contas Nacionais) trimestralmente e, quase sempre, publicado no momento em que a conjuntura já está mudada.

O governo tem se mostrado bastante preocupado com o desempenho bem mais fraco da economia do que o anteriormente projetado. O PIB do Brasil neste ano, provavelmente, avançará algo acima dos 3% em relação a 2010, mas dá sinais de maior desaceleração. A ponto de deixar para trás um crescimento de 5% estimado pelo governo federal ao longo de 2012.

O que contraria esse panorama de desaquecimento da produção é o comportamento do consumo, que segue robusto apesar de alguns setores – sobretudo o de veículos e aparelhos domésticos – já demonstrarem um claro esfriamento. Os dados mais recentes são da Serasa Experian e dão conta de um impulso do comércio varejista, na acumulada do ano até outubro, de 9,1%.

Os últimos números sobre o setor apontados pelo IBGE são de setembro e registram um salto em 12 meses de 7,7%. O crédito aumentou 19,6%, também no período de 12 meses terminado em setembro – bem mais do que estava nos propósitos do governo. Esse indicador corrobora a boa fase do consumo interno, que deverá ter um novo reforço em janeiro, quando o salário mínimo terá reajuste de aproximadamente 14%. A forte elevação das importações, de 25,2% em 12 meses, sugere que boa parte da oferta está sendo suprida por fonte externa.

O arrefecimento da atividade econômica traz uma dificuldade adicional que, por sua vez, acarreta ainda uma segunda: gera uma arrecadação mais baixa do que a prevista e, portanto, tende a diminuir em volume de recursos a formação do superávit primário, de 3,1% do PIB, em 2012. E com menor contribuição da política fiscal fica também mais difícil contar com maior corte dos juros.

COLUNA

Atrasados a receber. A equipe da Comissão Europeia encarregada de conferir as estatísticas econômicas da Grécia e as condições que o país tem de pagar suas contas verificou que o Tesouro grego tem nada menos que 60 bilhões de euros em impostos atrasados a receber. Não é nada, é um dinheiro que daria para pagar pelo menos metade dos 120 bilhões de euros prometidos a título de socorro para os gregos.

E tem a sonegação. Esses são apenas impostos não pagos, cujo recolhimento é muito difícil. À parte o fato de que os gregos arrecadam menos tributos do que os outros sócios do bloco do euro, ainda há a sonegação, considerada alta.

A um tico dos 100% do PIB. No dia 15, a dívida dos Estados Unidos chegou aos US$ 15,03 trilhões, o equivalente a 99% do PIB do país. O comitê bipartidário do Congresso americano ainda não conseguiu chegou a um acordo sobre os cortes de US$ 1,2 trilhão no prazo de dez anos, o que precisa acontecer até a próxima quarta-feira.