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Dois homens e um destino

Celso Ming

21 de abril de 2012 | 16h30

Neste domingo, 40 milhões de eleitores da França abrem o processo de escolha do presidente do país para o período 2012-2017.

São dez os candidatos, mas somente dois chegarão ao segundo turno, marcado para o dia 6 de maio. O conservador Nicolas Sarkozy, em busca da reeleição, e o socialista François Hollande têm condições práticas de chegar lá. As pesquisas dão a vitória por folgada margem a Hollande no segundo turno, mas, entre a sela e o chão – escreveu Graham Greene –, muita coisa pode acontecer.

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Sarkozy e Hollande. Hora de escolha (FOTO: CHRISTOPHE GUIBBAUD/REUTERS)

Sarkozy, o atual presidente, tem contra si o passivo da crise, especialmente a dívida da França que saltou dos 64% do PIB em 2007 para os atuais 83% do PIB; mais o rebaixamento da qualidade e forte ameaça de rejeição dos títulos do Tesouro da França, o que dificulta a rolagem dessa dívida; uma economia estagnada; indústria sob grave esvaziamento; e desemprego no recorde dos 10% da população ativa. (Veja, no Confira, a ficha da França.)

O projeto para sair desta crise do sempre elétrico Sarkozy não vai muito além da meia solução que está sendo montada pelos atuais líderes do bloco do euro, com a diferença de que, nas últimas semanas, Sarkozy vem reivindicando passo importante em direção à heterodoxia monetária. Apesar do claro veto alemão, quer que o Banco Central Europeu (BCE) passe a usar suas impressoras de euros para financiar Estados superendividados, como a própria a França.

A campanha de Hollande é de hostilidade a tudo o que está aí, mas é gritante a falta de proposta sobre o que colocar no lugar. Resume-se a dizer não à austeridade orçamentária; a culpar o sistema financeiro e os excessivamente folgados bancos, responsáveis pelas lambanças; e a cobrar mais impostos dos mais ricos, para garantir mais recursos a projetos destinados a tirar a economia da entalada e criar mais empregos.

O problema é que, por mais esfolados que os ricos venham a ser pelo Fisco francês, o aumento da arrecadação será insuficiente para reequilibrar as finanças públicas e acelerar a economia. E, por sua vez, desancar o mercado financeiro não ajuda a recapitalizar as instituições financeiras, cujo patrimônio está ameaçado.

Além disso, a atual crise resulta das excessivas despesas e do excessivo endividamento do Estado – problemas que Hollande parece disposto a acentuar ainda mais.

Mas no talo da fruta estão as contradições das atuais propostas macropolíticas da social-democracia. A ideia de fortalecer o Estado para aumentar a capacidade de fazer políticas esbarra no processo de globalização crescente e na perda da soberania orçamentária e política que o fortalecimento do euro está exigindo.

Os ideais da internacional socialista e da união dos trabalhadores de todo o mundo, por sua vez, esbarram na necessidade de criar empregos para os franceses e na crescente hostilidade da população contra os imigrantes e as minorias étnicas.

Em todo o caso, uma coisa é discursar no palanque e outra, bem diferente, governar. E, nessa tarefa, nem Sarkozy nem Hollande prometem coisas substancialmente diferentes.

CONFIRA

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Na tabela, os principais números macroeconômicos da França.

Mais rejeitados. Cresceu a rejeição aos títulos da França na semana passada. No início do mês, os investidores pediam rendimento (yield) de 2,9% ao ano para ficar com esses ativos. Agora, passaram a exigir 3,1%. Dois foram os principais fatores dessa alta: (1) as declarações dos principais candidatos à presidência do país, favoráveis às emissões de moeda pelo BCE para financiar despesas públicas da França; e (2) a perspectiva de que outras agências classificadoras de risco rebaixem a qualidade dos títulos de dívida da França.

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