É o emprego crescendo

Celso Ming

24 de novembro de 2011 | 19h45

Os números macroeconômicos apontam para algumas divergências quanto ao rumo da economia brasileira em meio a esta crise global.

Há, por exemplo, indicações de que a atividade econômica se encontra em desaceleração, como demonstraram os últimos levantamentos do Índice de Atividade Econômica do Banco Central e o estoque do crédito – que já não cresce com a mesma força de há alguns meses, embora isso também tenha tido a ver com a greve dos bancários, que reduziu o fluxo dos financiamentos.

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Em geral, os números da indústria também capengam. A produção automobilística, por exemplo, diminuiu 19,7% no mês de setembro. Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira os últimos dados de sua Sondagem Industrial. Em outubro, ficou nos 48,8 pontos. Esse índice varia entre 0 e 100 pontos e, quando está abaixo dos 50, aponta atividade negativa. A mesma metodologia mostrou queda na utilização de capacidade instalada no Brasil dos já baixos 45,0 pontos, em setembro, para 43,9, em outubro.

Em compensação, a Balança Comercial vai dando show em plena crise global. Em 12 meses terminados em outubro, as exportações avançaram 20,5% e as importações, 19,5%. No início do ano, o Banco Central projetava para 2011 um saldo comercial de US$ 11 bilhões. O resultado deve ficar acima do dobro, entre US$ 24 bilhões e US$ 25 bilhões. O mesmo se pode dizer do Investimento Estrangeiro Direto (IED), para o qual o Banco Central previa entrada líquida de apenas US$ 45,0 bilhões. O volume final ficará ao redor dos US$ 65 bilhões.

E nesta quinta saiu o raio X do desemprego do País em outubro, exposto no gráfico. Anunciou-se desocupação de 5,8% da População Economicamente Ativa (PEA), melhor índice desde dezembro de 2010.

Esse número explica muita coisa da atual trajetória da inflação. Os especialistas têm lá suas divergências, mas geralmente concordam em que, no Brasil, um índice de desemprego abaixo de 6,5% deixa de ser neutro em relação à inflação.

O IBGE apontou nesta quinta-feira que o rendimento real dos trabalhadores com carteira assinada subiu 11% em 12 meses. Como o salário mínimo terá reajuste de nada menos que 14% em janeiro, a massa salarial tende a crescer e a ajudar a sustentar a demanda interna, grande responsável pelo salto de 9,34%, em 12 meses, dos preços dos serviços (até outubro).

Por falar nisso, a novidade no arranjo da economia brasileira é o forte avanço desse setor: 49% do IED em 2011 vieram para serviços (telecomunicações, comércio, produção e distribuição de energia, serviços financeiros, etc.). Crescem com vigor a construção civil, áreas de assistência técnica, call centers e transportes.

Isso cobra seu preço especialmente para a indústria, que vai perdendo participação relativa no produto nacional. Mas, para o bem e para o mal, esta é uma tendência clara deste momento da economia brasileira. Em outubro, a indústria (mais as atividades de extração) utilizava 16,3% da população ocupada. Enquanto isso, todo o setor de serviços ficou com 83,3%.

CONFIRA

Não e não. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, segue intransigente na rejeição sumária das propostas de instituição do Eurobônus – título que, em princípio, agrada ao mercado financeiro. Serviria para financiar despesas públicas de todos os países do bloco do euro em forma solidária. E teria o mérito de criar mecanismos institucionais de controle das dívidas. Merkel insiste em que o Eurobônus enfraqueceria todos.

Reformas. Ela está agora dando prioridade à reforma dos tratados da área do euro, cuja espinha dorsal implica controles dos orçamentos nacionais por um poder central.

Comprido demais. O problema é que esses tratados supõem longa negociação e, provavelmente, terão de ser submetidos ainda a referendos em cada um dos países-sócios do bloco, cujos resultados são uma incógnita. É um processo demorado demais diante da urgência de soluções rápidas que a crise está exigindo.