Esticão do consumo

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Esticão do consumo

Celso Ming

12 de setembro de 2013 | 20h00

Se houve quem tivesse previsto avanço tão forte do consumo em julho, como o divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE, ninguém ficou sabendo.

Os resultados surpreenderam. O consumo restrito aumentou 1,9% sobre junho (veja o gráfico) e o ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, 0,6%. Em 12 meses, o varejo restrito aumentou 5,4% (veja o Confira) e o ampliado, 5,8%.

Uma explicação para o salto de julho pode ter sido o mau desempenho de junho, mês em que as manifestações nas principais capitais levaram o consumidor a contar até 100 antes de sacar o cartão de crédito.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou os resultados, o que sempre acontece quando favorecem o governo. Ele os atribuiu à desaceleração dos preços ao consumidor, ou até mesmo à queda dos preços dos alimentos, fator que castigou menos o poder aquisitivo do trabalhador em julho.

Independentemente da forte volatilidade, os números do varejo tomados em intervalos mais longos continuam robustos, sobretudo no setor de aparelhos domésticos, graças aos incentivos distribuídos pelo programa Minha Casa Melhor.

O bom desempenho do consumo no Brasil, que se repete meses a fio, é consequência das opções de política econômica, que deram força à expansão das despesas públicas, às transferências de recursos para as camadas de baixa renda, aos reajustes salariais acima do aumento de produtividade e, até abril deste ano, à política de expansão da moeda (juros relativamente baixos) do Banco Central.

O que não vai bem é a produção, que não consegue dar conta do mercado interno, principal razão pela qual as importações têm sido puxadas. É por isso que o ministro talvez não volte a mostrar o mesmo entusiasmo nesta sexta-feira quando da divulgação das estatísticas do Índice de Atividade Econômica, o IBC-Br, calculado pelo Banco Central, concebido para refletir o comportamento da produção – o que nem sempre conseguiu. Em todo o caso, também aí pode acontecer nova zebra, porque a volatilidade das estatísticas, não só as de consumo, como, também, as da produção, tem sido enorme.

Essa volatilidade é a principal razão pela qual esses resultados exuberantes do consumo não são sustentáveis, pelo menos no ritmo mostrado em julho. São três os fatores que conduzem a essa expectativa cautelosa. O primeiro deles é o repique da inflação, em consequência do repasse da alta do dólar para o varejo, movimento que ficou visível na evolução dos preços no atacado no início deste mês (primeira prévia do IGP-M). O segundo fator é a relativa retração das operações de crédito que deverá ter como contrapartida também certo enfraquecimento das vendas ao consumidor. E o terceiro é a antecipação de compras proporcionada meses atrás aos compradores de veículos, graças à redução de tributos.

Pergunta insistente: por que a produção não acompanha a oferta? Além do eterno problema dos altos custos, há o atual surto de falta de confiança do empresário na condução da política econômica, de que tanto reclama a presidente Dilma (o tal pessimismo) e há meses é apontado pelo Banco Central.

CONFIRA:

Aí está a variação do volume de vendas no varejo nos últimos dois anos.

Minguante. O governo não consegue manter a palavra sobre a meta fiscal de 2013. Começou o ano garantindo 3,1% do PIB. O número foi gradualmente desidratado e, em junho, fixado em 2,3% do PIB. Agora, a conversa é de que não dá para ser mais de 2% do PIB. Dado o comportamento da despesa (expansionista) e da receita (contracionista), não há quem acredite nem nesse número. E vejam que o tamanho do PIB também foi minguando. Começou em 4,5%; agora está em 2,5%.

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