Esvaziamento das cadernetas

O vilão dessa situação ruim é a desordem das contas públicas; Ela produz inflação e traz insegurança

Celso Ming

05 de maio de 2016 | 17h38

Em abril, os saques ficaram R$ 8,2 bilhões mais altos do que as aplicações. Retirada recorde para o mês, em 21 anos.

Não é difícil entender por que isso acontece. O salário está acabando antes do fim do mês e muita gente está sendo obrigada a apelar para retiradas para equilibrar o orçamento doméstico. Por trás de tudo, estão a recessão, o desemprego, que alcança cada vez mais algum membro da família, e a inflação, que continua comendo renda.

Afora isso, um punhado de aplicações financeiras no segmento de renda fixa vem rendendo mais do que a caderneta e passou a atrair mais interessados.

Uma consequência desse esvaziamento é a redução de recursos para compra de casa própria. As cadernetas são uma das principais fontes que os bancos usam para financiar habitações. Se o bolão vai sendo reduzido, o sistema tem de operar com menos recursos

O vilão dessa situação ruim é a desordem das contas públicas. Ela produz inflação e traz insegurança. É por isso que por trás de uma crise econômica e de problemas desse tipo quase sempre está um desequilíbrio fiscal, o sistema de contas que engloba receitas e despesas do governo.

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