FMI pede corte de salários e aposentadorias na Grécia

Celso Ming

29 de abril de 2010 | 13h30

O Fundo Monetário Internacional está pedindo, nos trâmites das negociações com objetivo de concessão de um empréstimo de emergência, que a Grécia reduza salários e aposentadorias. E o governo grego, pelo menos por enquanto, vai resistindo a essa exigência.

Em princípio, a redução de salários e aposentadorias parece uma proposta dura e politicamente inviável. Mas ela é apenas a consequência da falta de soberania monetária da Grécia.

Se a Grécia tivesse moeda própria, o mesmo efeito correspondente à redução de salários e aposentadorias seria obtido por meio da desvalorização da moeda, no caso a dracma, e da elevação dos juros, porque seu poder aquisitivo seria rebaixado em relação às importações.

Como, no entanto, está na União Monetária Europeia, a Grécia não pode usar esse recurso. Tem de usar o mesmo recurso que foi empregado pelos alemães nos últimos anos, que foi o de rebaixar seu próprio salário em euros, de maneira a dar maior competitividade ao produto alemão de exportações.

Mas a saída da Grécia do bloco do euro seria hoje impensável. Se não consegue crédito nem tendo uma moeda como o euro, imagine-se o que não aconteceria se tivesse uma nova moeda desvalorizada em relação ao euro, que aumentaria substancialmente a dívida que hoje está em euros.

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