Fraqueza

Fraqueza

Celso Ming

14 de fevereiro de 2014 | 21h00

Mais um indicador, desta vez o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontou nesta sexta-feira para um desempenho do setor produtivo ainda mais decepcionante do que o esperado.

A atividade econômica em dezembro caiu 1,35% em relação a novembro, com uma agravante: o Banco Central revisou para baixo (de menos 0,31% para menos 0,64%) o resultado preliminar de novembro (veja o gráfico). Ou seja, as bases para medição da atividade de dezembro foram rebaixadas, acentuando o mau resultado.

Dados anteriores sobre a indústria e o varejo já vinham alertando para o início muito fraco de 2014. Agora, aumenta a probabilidade de um resultado mais fraco do que o crescimento de apenas 2,5% obtido em 2013.

Fica demonstrada a ineficácia das políticas anticíclicas adotadas pelo governo: aumento das despesas públicas, derrubada dos juros (até abril), incentivo ao crédito e redução de impostos para beneficiar o consumo.

Essas políticas desequilibraram a economia, criaram distorções, aumentaram a desconfiança e, mais que tudo, não produziram o efeito pretendido. Os desequilíbrios ficam evidenciados não só pelo baixo crescimento econômico e pela inflação muito alta, mas, também, pelo aumento do rombo (déficit nominal) tanto das contas públicas como das contas externas (déficit em conta corrente).

Ficou reafirmado, também, o que já se sabia. Redução de IPI para compra de veículos e de aparelhos domésticos é providência que apenas antecipa as vendas da indústria, mas não aumenta o mercado interno. Pode-se levar um consumidor a apressar uma compra prevista para mais adiante de modo a aproveitar o desconto, mas não o fará comprar mais, porque ninguém troca de carro ou de geladeira a cada seis meses. Além disso, o aumento induzido do endividamento do consumidor, além de provocar crescimento da inadimplência (calote ou atraso no pagamento das prestações), estanca as vendas de outros produtos pela sobrecarga do orçamento doméstico.

Se fosse para manter a política empreendida até aqui, diante da maior desaceleração da atividade produtiva e persistência da inflação em níveis elevados, o governo teria de aprofundar medidas anticíclicas. Mas elas estão esgotadas. Nem o Tesouro dispõe de recursos para despejar na economia nem o Banco Central pode recorrer a emissões de moeda, porque tem uma inflação braba a combater.

O melhor que o governo teria a fazer agora seria cuidar dos fundamentos da economia, especialmente das finanças públicas e das contas externas. Mas são providências que, a curto prazo, não acelerariam a atividade econômica; apenas ajudariam a colocar a casa em ordem e contribuiriam para alguma recuperação da confiança, hoje abalada.

Não está clara a direção da política econômica a ser tomada pelo governo Dilma. Diante do calendário eleitoral, a tendência é frouxidão das contas públicas e mais do mesmo – e bota mais nisso. Mas está aí a ameaça de rebaixamento da qualidade dos títulos de dívida do Brasil e suas duras consequências. É o que poderia levar o governo a cravar uma aposta mais ortodoxa (veja o Confira).

CONFIRA:

Aí está a evolução, mês a mês, da atividade econômica do Brasil em 12 meses.

Mais complicado. A expectativa de um avanço ainda mais baixo do PIB neste ano tem um efeito prático imediato: vai exigir esforço ainda maior de superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida). Se esse esforço é medido em tamanho do PIB e este será mais baixo, será preciso mais superávit em relação ao PIB para dar conta do efeito sobre a dívida pública. O governo Dilma ficou de apresentar esse esforço fiscal até o próximo dia 20.

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