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Os altos custos de uma Escócia independente ficaram mais evidentes depois que o escocês se deu conta do impacto sobre seu patrimônio pessoal, a ser enfrentado pela perda inevitável da libra esterlina e da tutela do Banco da Inglaterra (banco central)

Celso Ming

19 de setembro de 2014 | 21h00

A rejeição contundente da proposta da independência da Escócia é o resultado da avaliação realista feita por parte do cidadão escocês de que os custos econômicos e políticos de uma separação, ainda que amigável, seriam altos demais. Mas deve apontar para mais do que isso. Parece indicar, por exemplo, que o processo de globalização, que alguns entendiam em reversão, tende a aprofundar-se.

LOS ESCOCESES RECHAZAN LA INDEPENDENCIA

A Escócia não muda ( FOTO:EFE/Andy Rain)

Os altos custos de uma Escócia independente ficaram mais evidentes depois que o escocês se deu conta do impacto sobre seu patrimônio pessoal, a ser enfrentado pela perda inevitável da libra esterlina e da tutela do Banco da Inglaterra (banco central). Ele entendeu, também, que era ilusória a propalada vantagem de administrar uma moeda própria – que garantiria uma política monetária também independente. Na impossibilidade de ficar com a libra, a proposta alternativa seria aderir ao euro, como a Irlanda, e não aventurar-se com uma moeda nacional, com respeitabilidade ainda a construir.

Os grandes bancos da Escócia bem que avisaram que transfeririam suas sedes para Londres para garantir o guarda-chuva do Banco da Inglaterra. Os cotistas dos fundos de pensão e os aposentados temeram pela renda futura. Os trabalhadores sentiram que os fundamentos do seu seguro-desemprego corriam risco e que a política de saúde hoje exercida pelo governo inglês teria de ser repassada ao novo governo escocês, sabe-se lá com que eficácia. A decisão, mais movida pelo medo do que pela ousadia, de não trocar o certo pelo duvidoso, está agora grávida de consequências.

A força do movimento pela independência da Escócia e de outras dinâmicas separatistas, como a da Catalunha, do País Basco, da Valônia belga e do Leste da Ucrânia vinha sendo apontada como sinal de que o processo de globalização atingira seus limites. Essa percepção foi reforçada por outras novidades: pelo retorno das grandes empresas e de novos investimentos para os Estados Unidos e pela impressão de que a civilização muçulmana dificilmente se integraria ao bloco ocidental, como a tentativa de consolidação de um novo Estado islâmico, de natureza fundamentalista, pode indicar.

No entanto, além de enfraquecer outros movimentos separatistas, a rejeição da autonomia pelo povo escocês aponta para mais globalização e não para o contrário. A revoada de investimentos para os Estados Unidos é o resultado de outros fatores, especialmente da forte redução dos preços da energia, graças à obtenção de gás de xisto a baixo custo e à mais adiantada recuperação da economia.

Mesmo com resultados ainda reduzidos, há progressos na coordenação global de políticas. As sucessivas reuniões dos chefes de Estado nas cúpulas do G-20 são uma demonstração disso. Os presidentes dos grandes bancos centrais reúnem-se periodicamente na cidade da Basileia para articular suas políticas monetárias. E até mesmo as críticas que se fazem ao mau funcionamento dos acordos multilaterais de comércio demonstram a existência de inconformismo com o que está aí e de criação de mais pressões também por mais governança global e não por menos.

CONFIRA:

IPCA15SET20144

O IPCA-15 (período de 30 dias fechado a cada dia 15) de setembro mostrou que a inflação voltou a dar seus pinotes. No mês, avançou 0,39% e, em 12 meses, 6,62%.

Voltou a subir
A redução dos preços dos alimentos e das passagens aéreas anotada nos meses anteriores já se inverteu. Fica agora mais provável que a inflação de setembro avance para a casa do 0,5%. Em 12 meses, pode atingir os 6,7%. Se isso se confirmar, a campanha eleitoral para o segundo turno conjugará uma evolução negativa do PIB e inflação acima do teto da meta.

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