Governo precisa decidir o que quer

Celso Ming

30 de setembro de 2010 | 13h05

A cotação do dólar resvala agora para a casa de R$ 1,69, respondendo pouco ou quase nada à fortes compras comandadas pelo Banco Central.

Em grande parte, a nova entrada de dólares ainda está relacionada com a capitalização da Petrobrás. Agora são os fundos internacionais que precisam comprar mais ações da estatal para alcançar a composição adequada de ações de sua carteira depois que a Petrobrás aumentou a participação no Índice Bovespa.

Como vem acontecendo, o governo vai lamentar o mergulho do dólar. Mas, convenhamos, o governo quer e não quer. Quer atrair capital externo para a capitalização da Petrobrás, a maior de todos os tempos, mas não quer as consequências da forte entrada de dólares.

Quer que o Brasil exporte mais para reduzir o déficit externo, quer dinheiro estrangeiro para as obras da Copa, para as obras da Olimpíada, para a infraestrutura e para o PAC, para o trem-bala, para a capitalização e reforço de capital de giro das empresas brasileiras… E depois se queixa da derrubada das cotações no câmbio.

Quer dizer, é preciso, também, que o governo chegue a um acordo sobre o que realmente quer e sobre o que vai deixar para depois.

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