Hotéis lotados

Celso Ming

18 de novembro de 2011 | 19h45

Encontrar apartamento de hotel de um dia para o outro em São Paulo ficou quase impossível. Em dias úteis, a lotação já é de quase 100%, com ou sem megaeventos na cidade. Apenas com grande antecedência se conseguem vagas.

Em abril, voo da Delta Airlines com destino a Atlanta, nos Estados Unidos, foi cancelado por problemas mecânicos. Quem não residia em São Paulo teve de se hospedar em Bertioga, na Baixada Santista, a 105 km do aeroporto de Guarulhos. Não por opção da companhia; por não haver vagas na capital.

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De lá para cá, as coisas pioraram. A demanda subiu e a oferta se manteve estagnada. A ocupação média em 2007, contando finais de semana, foi de 67,0%. Após a paradeira da crise econômica, quando esse número recuou, em 2010 o índice avançou para 68,5%. Neste ano (até outubro) já corre acima dos 70,0%, como mostra o gráfico.

Veja agora o que se passa com a oferta. Desde 2007 – quando o Brasil foi oficialmente indicado como sede da Copa do Mundo de 2014 –, São Paulo tem os mesmos 410 hotéis e os mesmos 35,4 mil apartamentos. A cidade abrigará seis jogos do Mundial, incluindo um dos semifinais e abertura. Mas, até 2015, funcionarão só três novos hotéis na metrópole, com 876 quartos (2,5% a mais), aponta o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), que coordena interesses do setor.

São Paulo é o terceiro maior polo turístico do País. E, diferentemente de Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu – na dianteira do ranking –, 70% dos 12 milhões de turistas (85% brasileiros) que a cidade abriga por ano não viajam em busca de lazer. Querem fechar contratos ou participar de congressos, convenções, feiras ou fóruns.

Uma das explicações para o forte descompasso entre oferta e procura – identificado por Carolina Halo, da Mapie Consultoria – é a conjugação de dois fatores. De um lado, o bom desempenho da economia nos três últimos anos atraiu mais gente para os negócios. E, de outro, os empreendedores preferiram investir em imóveis residenciais, fartamente financiados; e não em hotéis, de retorno mais baixo.

Mais de meio milhão de turistas virá ao Brasil em 2014. E São Paulo será um dos principais destinos. No entanto, a perspectiva de falta de vagas não aflige o setor hoteleiro. Ana Maria Aidar, diretora da Fohb, aposta na inversão do movimento. Entre 12 de junho e 13 de julho de 2014, período de duração da Copa, a cidade e o foco do mercado hoteleiro mudarão, diz ela. “Por já se conhecerem as datas dos jogos, eventos habituais serão remanejados e hotéis estarão disponíveis para torcedores de todos os países.”

A tendência, atesta ela, é de lotação na faixa dos 79% em São Paulo, mesma projeção para 2015 – embora admita que cidades próximas exercerão, sim, papel importante na hospedagem desse pessoal.

Mas às vezes fica parecendo que o setor pressiona o governo para liberar favores especiais. A própria Ana Maria Aidar reconhece: “Garantimos ao Ministério do Turismo as vagas, mas precisamos de incentivos para capacitar funcionários e receber bem o mundo todo”. / COLABOROU GUSTAVO SANTOS FERREIRA

CONFIRA

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A contratação de pessoal com carteira assinada (empregos formais) ainda cresce, mas está desacelerando. É o que apontou nesta sexta-feira o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, a partir de dados de outubro.

Mais uma revisão. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fez aposta arriscada no primeiro trimestre. Fixou para 2011 a criação líquida de 3 milhões de empregos formais. Em setembro, revisou para 2,7 milhões. E nesta sexta foi obrigado a refazer o cálculo outra vez: 2,4 milhões. E nem esse número mais baixo será atingido.