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Jogo de empurra

Celso Ming

31 de outubro de 2011 | 19h45

É indisfarçável o jogo de empurra no Grupo dos 20 (G-20) países economicamente mais importantes, cujos chefes de Estado têm encontro marcado nesta quinta-feira em Cannes, na França.

Sob o argumento de que a crise é global e que exige ação solidária, os mesmos europeus que não se arriscam a colocar mais dinheiro no seu Fundo querem que emergentes, detentores da maior pilha de reservas internacionais (US$ 6,8 trilhões no fim do segundo trimestre, segundo o FMI, ou 68% do total) ajudem a sustentar o passivo do bloco do euro.

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Enquanto isso, dirigentes dos Estados Unidos advertem que a Europa não fez tudo o que deveria para resgatar o euro e sua economia e que, assim, não há como ajudá-la. Enfim, há coisas que o rei tem de fazer sozinho, sem ajuda dos seus pajens.

Uma das questões que a presidência do G-20, hoje nas mãos da França, quer equacionar é a reforma do Sistema Financeiro Internacional. Desde 1971, quando o então presidente americano, Richard Nixon, suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, distorções se acumulam.

As taxas de câmbio estão submetidas a solavancos (excessiva volatilidade), fato que prejudica o planejamento e o cumprimento dos contratos tanto das empresas como dos governos. A insegurança tem provocado enormes emissões de moeda pelos grandes bancos centrais. Isso tende a acirrar guerras cambiais em alguns países, ou seja, levam os bancos centrais a ações defensivas para impedir valorização demasiada das próprias moedas. As distorções produzem, também, grandiosas transferências de capitais para emergentes, cujo efeito é a acumulação de reservas (veja gráfico). Apenas no G-20, a soma de déficits e superávits saltou de US$ 580 bilhões (2,3% do PIB dos 20) para US$ 2,5 trilhões (5,6% do mesmo total).

A França propõe reforçar a coordenação política, instituir mecanismos que reduzam a acumulação de reservas pelos emergentes e esquemas para regulação de atividades bancárias.

Tudo isso fica muito vago e inconsequente. Não haveria tantas disparidades e tamanha acumulação de reservas pelos países em desenvolvimento se os já desenvolvidos não tivessem se endividado tanto. As reservas dos emergentes são preponderantemente constituídas de títulos de dívida emitidos pelos ricos. O mesmo se pode dizer da superexposição dos bancos às dívidas soberanas. Só aconteceu porque os países avançados se endividaram demais, situação relacionada com excessivo aumento do consumo.

Ou seja, emergentes e maiores instituições financeiras se transformaram em grandes credores dos países ricos por que eles se sentiram à vontade para emitir quantos títulos de dívida quisessem. E a China só se tornou recordista entre empilhadores de reservas porque sucessivos governos dos Estados Unidos acharam muito cômodo os chineses se dispusessem a financiar seu consumo.

Isso significa que de nada adiantará um ajuste por meio de controles voluntaristas de fluxos de capital e de reforço de capitalização dos bancos, caso os países ricos não tratem de conseguir seu próprio equilíbrio fiscal – que dispense novos endividamentos.

CONFIRA

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O gráfico mostra a evolução da dívida líquida do setor público até setembro deste ano.

Reservas dobradas. O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, declarou nesta segunda-feira em Cingapura que a Petrobrás tem reservas de 35 bilhões de barris de petróleo. A informação é da agência Dow Jones. O último “fato relevante sobre o assunto” revelado pela Petrobrás, em 14 de janeiro, reconhece a existência de apenas 15,3 bilhões de barris em reservas comprovadas. E a atual produção da empresa é de 2,2 milhões de barris diários.

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