Marcha lenta

Marcha lenta

Celso Ming

15 de agosto de 2013 | 20h00

Os primeiros indicadores da produção e da renda apontam para um segundo trimestre alguma coisa melhor do que o primeiro, mas não o suficiente para passar confiança no desempenho da economia.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta quinta-feira mostrou um mês de junho substancialmente melhor (1,1%) do que o recuo (-1,5%) de maio. Mas, considerados os ajustes, o segundo trimestre avançou apenas 0,5% em relação ao anterior que, por sua vez, havia crescido 1,9%.

Concebido para antecipar o comportamento da economia, cujos resultados são divulgados apenas trimestralmente pelas Contas Nacionais (pelo IBGE) e, ainda assim, com um atraso de quase cinco meses, o IBC-Br ainda não tem conseguido a precisão pretendida. No primeiro trimestre, por exemplo, acusou, como ficou dito, um avanço de 1,9%, mas as Contas Nacionais apuraram apenas 0,6%.

De qualquer maneira, a percepção geral é de que os números definitivos do IBGE apontarão um segundo trimestre melhor do que o primeiro. Como o governo comemora qualquer coisa (como a presidente Dilma se empolgou com a “maravilha” da inflação de julho), a banda de música já está encomendada para o dia 30, quando sairão as Contas Nacionais do período de abril a junho.

Mesmo que essa expectativa mais otimista se confirme, não dá para garantir repeteco no terceiro trimestre. Ou seja, o crescimento econômico, ainda que insatisfatório, não se sustenta. As primeiras indicações de julho e de agosto não animam ninguém.

Mas isso é um pouco brincar de sobe e desce com esses e outros dados. É preciso conferir o que está por trás de mais um ano medíocre, sobretudo em crescimento econômico e inflação, com perspectivas de um 2014 também ruim.

Por mais que as autoridades da área econômica se esforcem para dizer o contrário, a sucessão de fiascos tem a ver com o desmonte da política econômica anterior e com a adoção da chamada Nova Matriz Macroeconômica que, decididamente, não deu certo.

Em nome de uma pretendida política anticíclica, o controle das finanças públicas foi relaxado; até abril deste ano, a meta de inflação foi substituída por uma meta de juros; o consumo foi exacerbado com redução de impostos sobre veículos, aparelhos domésticos e materiais de construção; o crédito fácil levou o consumidor ao endividamento; e a condução da rotina econômica foi marcada por iniciativas pontuais e de curto prazo – os conhecidos puxadinhos.

A esta altura, o governo se limita a improvisar, a tentar apagar os focos de incêndio com compressão artificial de preços e alguma iniciativa na área das concessões, quase sempre sujeitas a adiamentos por tempo indeterminado, como tem acontecido nas licitações de rodovias e, agora, com o trem-bala.

Mas, apesar do cavalo de pau que, desde abril, o Banco Central deu na sua política de juros, a confiança está abalada, o empresário não se encoraja a investir e as distorções vão aumentando, como as condições precárias do caixa da Petrobrás vêm demonstrando.

CONFIRA:

Desmentido. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, desmentiu informações publicadas nesta quinta-feira no jornal “Valor” de que o governo está disposto a rever a exigência de que em todas as novas licitações do pré-sal a Petrobrás entre como única operadora e participe com pelo menos 30% dos investimentos.

Questão de fôlego. Desmentidos à parte, o fato é que a Petrobrás não aguenta. Não vem dando conta nem do que já tem para fazer e muito menos dará se tiver de encarar, nessas condições, os próximos projetos de exploração do pré-sal. Ou seja, parece inevitável que, mais cedo ou mais tarde, essa imposição tenha de ser revista, em nome do interesse nacional.

Outubro vem aí. Mas, se a lei terá de ser revista, que sentido faria leiloar com essa exigência o maior campo do pré-sal, o de Libra, que sozinho tem entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis? Atenção: o leilão está previsto para outubro.

Tudo o que sabemos sobre:

PIB