Mexida no câmbio

Mexida no câmbio

O Banco Central voltou a atuar para impedir o mergulho da cotação do dólar. Nesta segunda-feira, a alta foi de 2,56%

Celso Ming

04 Maio 2015 | 21h00

O Banco Central voltou a atuar para impedir o mergulho da cotação do dólar. Nesta segunda-feira, a alta foi de 2,56%.

Câmbio é uma coisa complicada, que sempre precisa ser trocada em miúdos. Desde agosto de 2013, o Banco Central atuou no mercado para evitar a disparada da moeda estrangeira em reais. A política era segurar a inflação, porque um dólar alto demais encarece os produtos importados. Até o fim de março, o dólar tendia à alta porque a economia estava em franca deterioração, a campanha eleitoral não ajudou e os primeiros meses do segundo mandato Dilma foram turbulentos, na economia e na política.

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Para evitar alta excessiva, o Banco Central fez leilões de swaps. Apesar do nome feio, não é uma coisa complicada. Nesse caso, a autoridade cambial ofereceu títulos em reais que pagavam a variação do dólar no período. É uma operação com moeda nacional que equivale à venda de dólares no mercado, porque, no vencimento, o título cobriria a mesma quantia de dólares que o dinheiro aplicado pagaria na data da emissão. Com isso, o Banco Central chegou a dever o equivalente a US$ 114 bilhões apenas em swaps.

Esses leilões foram suspensos em 31 de março deste ano. A partir daí, o Banco Central limitou-se a rolar essa posição: no vencimento, pagava a dívida e emitia o equivalente em swaps. O estoque permaneceu o mesmo.

De abril para cá, o dólar fez o caminho inverso. Depois de bater nos R$ 3,31, as cotações voltaram a cair, em consequência de três fatores. Primeiro, a percepção de que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, não voltaria tão cedo a enxugar dólares no mercado internacional, portanto, continuaria a forte liquidez em moeda estrangeira mundo afora; segundo, os juros em alta no mercado brasileiro passaram a atrair dólares destinados a aplicações especulativas (carry trade); e terceiro, a publicação do balanço auditado da Petrobrás e algum progresso no ajuste produziram certa recuperação da confiança interna. Com isso, o dólar chegou a recuar até os R$ 2,88, cotação registrada em 28 de abril.

Nesta segunda-feira, o Banco Central anunciou que passaria a rolar apenas parte das posições de swaps. E rolou 80%. Com isso, passou dois recados. O de que não está disposto a permitir a queda das cotações abaixo dos R$ 3; e de que vai monitorar a dose da rolagem, sem compromisso com uma proporção prefixada.

Se não ocorrer nenhum novo acidente político ou econômico, a tendência é de que os dólares continuem entrando no País. Em princípio, a disposição de recompor parcialmente a posição de swaps incentiva as operações de especulação com juros porque garante estabilidade quando do retorno, ou seja, quando o especulador quiser reconverter os reais por dólares para sair do País.

O sinal de que abaixo dos R$ 3 por dólar o Banco Central não fica confortável sugere que o objetivo é estimular as exportações. Mas os estímulos não podem ser tão fortes a ponto de complicar a situação dos devedores em moeda estrangeira, principalmente a Petrobrás. Isso significa que a autoridade cambial está empenhada em garantir uma evolução das cotações do dólar sem solavancos.

CONFIRA:

BalancaAbr2015

Aí está a evolução do comércio exterior nos últimos 12 meses.

Recuperação

O déficit do comércio exterior do Brasil neste ano continua alto (US$ 5,1 bilhões), mas vai sendo lentamente revertido. Nos dois últimos meses já houve saldo positivo, próximo dos US$ 500 milhões. As exportações de industrializados (queda de 9,0% no quadrimestre) ainda não foram influenciadas pela desvalorização cambial de 16% no período. E as exportações de produtos básicos (queda de 23,6%) enfrentam a derrubada dos preços internacionais das commodities.