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Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Muito chão pela frente

Celso Ming

27 de dezembro de 2010 | 18h25

O Papai Noel foi generoso este ano. E esse bom momento do comércio não se restringiu ao mundo das lojas e dos shoppings. O volume de vendas no mundo virtual também foi recorde.

Pelos cálculos da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, este foi o melhor Natal do e-commerce no Brasil. E já havia sido o melhor Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia da Criança e por aí vai.

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O faturamento em 2010 do varejo online deverá superar os R$ 15 bilhões, o que corresponde a uma expansão de mais de 40% em relação ao obtido em 2009. O número de compradores pela internet também ficará maior. Deverá passar de 17 milhões em 2009 para 23 milhões ao final deste ano.

Esse avanço está relacionado a dois fatores principais: aumento da penetração da internet e crescimento do poder aquisitivo do brasileiro. O País tem hoje quase 70 milhões de internautas e as classes C e D, ávidas por mais consumo, começam a descobrir o sistema.

Outro fator que impulsiona o comércio eletrônico passa pela percepção das pessoas: elas se sentem cada vez mais seguras para fornecer os dados do cartão de crédito em endereços online. Alexandre Umberti, diretor de Marketing da consultoria E-bit, entende que essa sensação de segurança vem sendo conquistada principalmente porque as grandes marcas do varejo – como Casas Bahia, Magazine Luiza e Pão de Açúcar – vêm emprestando a credibilidade delas para o ambiente virtual.

Não é preciso ser entendido no assunto para saber que, até bem pouco tempo atrás, garantir a segurança e a privacidade das pessoas que se aventuravam a fazer transações online era a maior preocupação das empresas. Hoje, outras prioridades apareceram. O coordenador do Núcleo de Tecnologia da Informação e Comércio Eletrônico da FGV-SP, Alberto Luiz Albertin, aponta, por exemplo, para a necessidade de melhorar o relacionamento com o cliente.

Umberti é mais específico: o maior desafio será investir em logística para que o produto chegue sem atrasos à casa de quem o comprou. “Há um sério gargalo nessa área”, alerta.

Apesar do cenário positivo, é evidente que o Brasil ainda tem muito o que avançar quando o assunto é e-commerce. Em 2009, por exemplo, as vendas virtuais nos Estados Unidos alcançaram cerca de US$ 135 bilhões (R$ 230 bilhões) de faturamento e as do Reino Unido, € 100 bilhões (R$ 225 bilhões). Os especialistas da área garantem que esse é o tipo de comparação que não assusta. Ao contrário: mostra o quanto o comércio eletrônico ainda pode crescer por aqui.

Sem querer dar um banho de água fria no otimismo de ninguém, é preciso relembrar que boa parte do sucesso futuro vai depender da implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que tem avançado em marcha muito lenta. O plano inicial, que previa a chegada da banda larga popular a 100 cidades das Regiões Sudeste e Nordeste até o final do ano, foi adiado para abril, mas sabe-se lá quando será de fato colocado em prática. /COLABOROU ISADORA PERON

CONFIRA

Domingo, esta Coluna argumentou que não faz sentido sustentar que há desindustrialização no Brasil, como muita gente tem dito por aí. A seguir, duas opiniões sobre o assunto que chegaram por e-mail:

Chega de protecionismo. “Tomara que parte do empresariado deixe de culpar a China e o câmbio pelas incompetências governamentais (infraestrutura precária e tributos acima do aceitável). Basta de gente fazendo lobby por protecionismos e medidas paliativas…”  (André Dias)

Calvário. “Sou professor da FGV e consultor de empresas. Acompanho o calvário das empresas e seu gargalo: falta de pessoas capacitadas para ajudá-las na tarefa de empreender no Brasil. Enquanto o bloco asiático (Japão, Coreia e China) forma mais de 800 mil engenheiros por ano, o Brasil forma menos de 30 mil. Isso não se reverte em uma década. A empresa é uma organização de indivíduos. A desindustrialização será inevitável.” (Miguel Sacramento)

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