Não aconteceu

Não aconteceu

O governo Dilma chega ao final deste último ano do seu mandato com um rosário de metas não cumpridas

Celso Ming

04 de outubro de 2014 | 16h00

O governo Dilma chega ao final deste último ano do seu mandato com um rosário de metas não cumpridas.

O crescimento do PIB começou o ano projetado em 3,8%, mas vai terminá-lo com alguma coisa entre 0,29% (projeção do mercado aferida pela Pesquisa Focus, do Banco Central) e 0,7% (como prefere o próprio Banco Central). Se for isso, a média destes quatro anos (incluindo este) é de um avanço do PIB em torno de 1,6%.

Esse crescimento econômico medíocre, por sua vez, frustra a receita do setor público, porque não há nem produção, nem vendas, nem rendas em volume suficiente para gerar mais arrecadação de impostos.

O fracasso das metas fiscais não é menor. O superávit primário (sobra de arrecadação para controle da dívida) estava programado para ser de 2,1% do PIB, tal como estava na proposta para o Orçamento de 2014, enviada ao Congresso no ano passado. Apesar dos truques contábeis, das pedaladas que, a partir de julho, adiaram execuções de despesas; e apesar das receitas extraordinárias, essa poupança foi minguando até que o governo jurou que ao menos entregaria 1,9% do PIB. Hoje se vê que o resultado final ficará perto de zero, se não for negativo. É o descumprimento que mais poderá pesar na eventual perda do grau de investimento para a qualidade dos títulos brasileiros. Se confirmado, esse rebaixamento provocará aumento das despesas com juros.

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Outra meta frustrada é a da inflação. As promessas eram de convergência para a meta. Apesar dos juros básicos (Selic) na altura dos 11% ao ano, apesar do atraso dos reajustes dos preços administrados (25% da cesta de consumo) para segurar a inflação na marra; e apesar do câmbio represado, também com o mesmo objetivo, o desfecho é a inflação no teto da meta (6,5%), com risco de ultrapassá-la nas semanas finais deste ano.

O investimento deveria ter pelo menos crescido alguma coisa em relação ao mau resultado de 2013. Está em queda livre. As obras do PAC estão atrasadas e com orçamentos estourados. Os leilões de concessão e de serviços de infraestrutura, do trem-bala, dos portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, etc. vão sendo sucessivamente adiados.
O Banco Central começou o ano projetando US$ 10 bilhões de superávit comercial (exportações menos importações). Ficará abaixo de US$ 2,5 bilhões.

Pelo menos na área do emprego, os resultados nunca foram tão bons. Em parte. O desemprego de 5,0% da força de trabalho é de causar inveja a governos de qualquer país de Primeiro Mundo. No entanto, no segmento mais importante, o do trabalho formal (registro em carteira), as metas também estão sendo frustradas. Deveria ser criado 1,5 milhão de empregos. Não devem passar de 1 milhão.

Paradoxalmente, nenhuma dessas frustrações nem algum conjunto delas está sendo decisivo para exigir do governo uma virada na política econômica. As pesquisas apontam que 39% dos brasileiros consideraram seu governo ótimo e bom. A presidente Dilma deve repetir para si mesma e para seus auxiliares mais diretos que essa avaliação indica que a economia vai bem e que não precisa mais do que de alguns ajustes…

CONFIRA:

Dolar3out

Esta foi a volatilidade do dólar no último dia útil antes das eleições.

‘O problema é o PIB’
Sexta-feira, o professor Luiz Gonzaga Belluzzo disse, à Agência Estado, que o baixo crescimento do PIB é o principal problema da economia, maior do que o fracasso da meta fiscal.

‘É preciso gastar’
Para Belluzzo, não dá para garantir meta de superávit. O governo tem de gastar para provocar a expansão. O problema é que o superávit primário de 2014 ficará zerado. Não há margem para expansão das despesas públicas.

 

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